07/01/2014

Vídeo sobre decapitação de presos em Pedrinhas é destaque de capa na Folha de São Paulo

Um dia após a contestação do governo do estado ao relatório do juiz Douglas Martins sobre a violência no Sistema Prisional de Pedrinhas, o portal UOL publicou nesta terça-feira (07) um vídeo encaminhado pelo Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Maranhão ao jornal Folha de São Paulo com imagens chocantes sobre decapitação de presos.
A matéria é destaque de capa da edição do jornal paulista. São dois minutos e 32 segundos em que os próprios amotinados filmam três rivais com as cabeças cortadas e se divertem exibindo os corpos. De acordo com a reportagem assinada por Eduardo Scolese, coordenador da Agência Folha, o vídeo foi gravado dia 17 de dezembro. Ele começa com os presos caminhando por dez segundos dentro da penitenciária. Para preservar suas identidades, tomam o cuidado de exibir apenas os pés.
No foco principal, um homem de chinelos pretos e bermuda branca dá passos apertados, até que no oitavo segundo da caminhada o chão verde molhado de água se transforma num piso ensopado de sangue. Dois segundos adiante, a câmera se levanta abruptamente e mostra o saldo do motim no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pedrinhas, um bairro da zona rural da capital maranhense. Estão lá, diante da câmera e de comentários em tom de comemoração, os corpos de Diego Michael Mendes Coelho, 21, Manoel Laércio Santos Ribeiro, 46, e Irismar Pereira, 34.
Segundo a Folha, o governo do estado não quis comentar o vídeo, que lhe foi enviado. "Disse apenas que imagens supostamente registradas em Pedrinhas estão sendo divulgadas e poderão ser alvo de inquérito para investigar a sua veracidade". Nas costas de um desses corpos, de bruços, estão duas cabeças, lado a lado. Elas são exibidas como troféus. Ao lado, o terceiro decapitado ainda tem a cabeça encostada ao pescoço. Um dos presos grita: "Bota [o corpo] de frente pra filmar direito". Outro pede: "Não puxa a cabeça dele". Outro colega enfia os pés na poça de sangue, se aproxima e, com a ponta dos dedos, ergue a cabeça, puxada pelos cabelos. A cabeça escapa, cai no chão, mas é erguida novamente e colocada ao lado das outras duas. Os presos mantêm o clima de comemoração.
Segundo o governo do Maranhão, que não quis comentar as imagens, as três mortes foram resultado de uma briga entre membros da mesma facção criminosa. A maior rivalidade no complexo, porém, é de presos da capital versus presos do interior do Estado. Eles formam duas facções diferentes. Essa rivalidade é citada em relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Foi de dentro do complexo que saíram as ordens para os atentados ocorridos no último final de semana. O relatório cita a superlotação de Pedrinhas (com 1.700 vagas, abriga 2.500) e relata casos de estupros de mulheres que entram no presídio para visitas íntimas.
As imagens são e quem quiser assisti-las deve visitar o endereço
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1394160-presos-filmam-decapitados-em-penitenciaria-no-maranhao-veja-video.shtml

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