21 de abr de 2015

Há trinta anos morria, em São Paulo, Tancredo Neves e José Sarney era oficializado presidente da República

Na noite de 21 de abril de 1985, portanto há exatos 30 anos, o presidente eleito Tancredo Neves era dado oficialmente como morto, após 36 dias de haver sido internado em Brasília, onde foi levado ao Hospital de Base, após sentir fortes dores intestinais, sendo dali transferido para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde faleceu. Com a morte de Tancredo, o vice, José Sarney, que havia sido empossado interinamente dia 15 de março, foi efetivado no cargo de presidente da República, e cumpriu um mandato de cinco anos.
Tancredo, que havia cumprido uma agenda de campanha e em seguida de viagens ao exterior, já na qualidade de presidente da República, vinha sofrendo de fortes dores abdominais, mas se recusava a seguir os conselhos médicos para uma intervenção cirúrgica. "Façam de mim o que quiserem, mas só depois da posse", dizia. Ele temia que os militares da chamada "linha-dura" se recusassem a passar o poder ao vice, o que acabou ocorrendo. Esta preocupação com a garantia da posse era respaldada pela frase que ouvira de Getúlio Vargas: "No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse!"
Levado ao Hospital, depois de uma cerimônia religiosa no Santuário Dom Bosco, Tancredo teria dito a seu primo Francisco Dornelles, indicado para assumir o Ministério da Fazenda, que não se submeteria à operação caso não tivesse a garantia de que Figueiredo empossaria Sarney. Dornelles garantiu ao primo que Sarney seria empossado.
Sobre a doença, a versão oficial informava que fora vítima de uma diverticulite, mas apurações posteriores indicaram que se tratava de um leiomioma benigno, mas infectado. Os médicos esconderam até o fim a existência de um tumor, devido ao impacto que a palavra câncer poderia provocar à época.
José Sarney assumiu a Presidência em 15 de março de 1985, aguardando o restabelecimento de Tancredo. Leu o discurso de posse que Tancredo havia escrito e que pregava conciliação nacional e a instalação de uma assembleia nacional constituinte: 
"Ao assumir esta enorme responsabilidade, o homem público se entrega a destino maior do que todas as suas aspirações, e que ele não poderá cumprir senão como permanente submissão ao povo".
A grandeza de um povo pode ser medida pela fraternidade. A coesão nacional, que não deve ser confundida com as manifestações patológicas do nacionalismo extremista, resulta do sentimento de solidariedade da cidadania. Essa solidariedade se expressa na consciência política. Não basta, porém, a consciência da responsabilidade coletiva, se não houver a oportunidade de participação de todos na vida do Estado, que é o instrumento comum da ação social.25
Não celebramos, hoje, uma vitória política. Esta solenidade não é a do júbilo de uma facção que tenha submetido a outra, mas festa da conciliação nacional, em torno de um programa político amplo, destinado a abrir novo e fecundo tempo ao nosso País. A adesão aos princípios que defendemos não significa, necessariamente, a adesão ao governo que vamos chefiar. Ela se manifestará também no exercício da oposição. Não chegamos ao poder com o propósito de submeter a Nação a um projeto, mas com o de lutar para que ela reassuma, pela soberania do povo, o pleno controle sobre o Estado. A isso chamamos democracia!",


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