16 de jun de 2015

Herbert Fontenele contrariou as previsões médicas e viveu mais seis anos, sempre trabalhando pelo futebol

Fontenele nos stúdios da Mirante AM, apresentando seu programa diário
O jornalista e radialista Herbert Fontenele, que faleceu nesta terça-feira (16), aos 73 anos, prolongou em pelo menos seis anos sua vida, pois em 2009, aos 68 anos, quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata metastático, a estimativa dos médicos era de que teria no máximo mais um ano de vida, mas ele não se conformou, apesar do sofrimento de 12 sessões de quimioterapia e outras 32 de radioterapia, e continua lutando pela vida. "O sofrimento era tão grande que cheguei a pensar que deveria ter deixado a doença seguir seu rumo natural", disse ele numa entrevista à revista Veja, quando foi entrevistado  para falar dos efeitos de uma nova droga para esse tipo de tratamento.

Na foto que ilustrou a reportagem de Veja sobre sua resistência ao câncer
Fontenele foi um dos primeiros a recorrer ao tratamento à base de abiraterona, que  é um dos quatro novos medicamentos desenvolvidos nos últimos três anos para o combate à doença. Com eles, a taxa de sobrevivência dos doentes aumentou 30%, em cinco anos. Pode parecer pouco, mas não é. A elevação da taxa de sobrevida nos últimos cinco anos de pacientes com tumores avançados de mama girou em torno dos 20%. Dos de intestino, 10%. O tempo a mais que esses remédios proporcionam é como aquele que Fontenele experimenta - sem dores, sem prostração, sem enjoos. Vida normal, portanto. O diagnóstico de câncer de próstata metastático já não significa mais necessariamente uma sentença de morte. "Trata-se do maior impacto já visto em tão pouco tempo no tratamento de qualquer câncer metastático", diz Fernando Maluf, chefe da oncologia clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Na TV Mirante, onde era comentarista
Depois de se submeter a esse tratamento, viveu esse tempo todo, se dedicando ao que mais gostava na vida, o futebol, principalmente o maranhense, pelo qual lutava muito, tanto que sua despedida começou logo após a partida de sexta-feira do Sampaio Correa contra o Criciúma de Santa Catarina, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Saiu do estádio direto para o hospital UDI, de onde não saiu mais. Seu corpo será cremado nesta quarta-feira (17).

Natural de Piracuruca, no Piauí, Fontenele trabalhou por 55 anos no rádio, boa parte deste tempo em emissoras maranhenses, pois passou por quase todas elas e ficou famoso na Rádio Difusora AM, depois foi para a Ribamar (hoje Capital) e por último Mirante AM. Além do seu programa radiofônico, que leva seu nome, apresentado de segunda-feira a sábado, ao meio-dia, na Mirante AM, era comentaista da TV Mirante e ultimamente integrava a equipe do Sportv.

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