10 de jun de 2015

Hoteleiros estão apreensivos com baixo índice de reservas para as festividades juninas e para as férias de julho

Até 2013, quando ainda havia alguma coisa do Maranhão na prateleira do turismo nacional e internacional, a essa época do ano as empresas de hotelaria de São Luís já trabalhavam com uma taxa de ocupação que podia chegar até 60%, sendo que nestes dias que antecedem à abertura dos festejos juninos os apartamentos ocupados já chegavam a 40%, mas este ano, apesar da forte torcida pela chegada dos turistas, bate um grande desânimo com o baixo pedido de reservas. Uma consulta feita junto a alguns hotéis da cidade mostra que a taxa média de ocupação, neste momento, é de 30%, mas alguns estão operando com até menos de 10%.

O presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação do Maranhão (Sehama), Paulo Humberto Coelho, não exagera no otimismo, mas acredita que a cidade será bem visitada no período junino, a exemplo dos anos anteriores, pois, apesar de muito tímidas, as reservadas já estão sendo feitas. Ele diz que ainda não recebeu relatórios dos hotéis, portanto não dispõe de números precisos para analisar a situação. Com base nos dados dos períodos festivos deste ano, porém, não dá para se apostar numa ocupação além de 50%. Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Hoteis (ABIH-MA) mostra como foi o desempenho nos cinco meses de 2015 (incluindo as festividades do período): Janeiro, 49%; fevereiro, 47%; carnaval, 44%; março, 44%; Semana Santa, 37%; feriado de 21 de abril (Dia de Tiradentes), 36%; e feriado de 1º de maio (Dia do Trabalhador), 45%.

A empresária Ivanice Pers, que preside a Rede Forte Hoteis (hotéis Veleiros e Ponta d´Areia, em São Luís, e Pousada Boa Vista, em Barreirinhas), diz que a última que vez que viu seus hotéis lotados foi no fim do ano passado, pois, além das festas de Natal e Réveillon, muita gente veio do interior do Estado para assistir à posse do governador Flávio Dino (PCdoB). Ivanice torce para uma grande movimentação de turistas, mas no momento diz que encara o mais baixo índice de ocupação da história de suas empresas, menos de 20%.

Alguns fatores ajudam a explicar a crise no turismo do Maranhão. Um deles, a redução de voos para São Luís pelas companhias aéreas, que trouxe por consequência outro problema: o aumento das passagens, e nem mesmo a redução do ICMS do querosene de aviação, que seria para atrair mais voos e novas empresas, não está surtindo ainda os efeitos desejados, já que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) vem registrando queda no movimento de passageiros no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado, mês após mês, este ano. O acumulado de 2015 chega a ser menor do que foi a movimentação de 2014 e de 2013.

Outros fatores seriam o medo dos turistas com a situação da cidade, por contas dos altos índices de violência e poluição das praias, porém um dos que teriam tido maior peso foi a falta de divulgação das festividades maranhenses. “Como o estado foi tirado das vitrines das operadoras de turismo e da mídia em geral, caiu no esquecimento do turista”, opina um empresário, que pediu reservas.

Mas não é apenas no transporte aéreo que se percebe a pouca movimentação dos turistas. De acordo com um gerente de hotel que também pediu para não ser identificado, até 2013 nesta época do ano já circulavam pela cidade diversos ônibus vindos dos estados do Pará e do Tocantins e de cidades do interior maranhense. “Até agora eles não apareceram”, reclama, acrescentando que a baixa movimentação da temporada junina deve se estender até julho, mês de férias escolares em que muitas famílias aproveitam para conhecer novos lugares.

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