15 de set de 2015

Poeta Ferreira Gullar explica por que se mudou de São Luís: a cidade era muito atrasada, parecia Macondo

Ao participar neste fim de semana do Café Literário de encerramento da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, o poeta maranhense Ferreira Gullar, ao falar de seu novo livro, Autobiografia Poética e Outros Ensaios, em que repassa sua trajetória desde São Luís, onde nasceu, ao exílio e o retorno ao Brasil, explicou porque foi embora do Maranhão: São Luís era muito atrasada. Segundo ele, parecia Macondo, cidade fictícia do romance Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel Garcia Marquez, onde tudo acontece depois.

Segundo Ferreira Gullar, as novidades demoravam a chegar, por isso, quando começou a escrever, era como se estivesse no século passado. Em pouco tempo sentiu necessidade de se mudar. “Eu não aguentava mais ficar em Macondo e vim para o Rio de Janeiro. Tinha 21 anos de idade”, completou. Na cidade publicou, em 1954, o livro A Luta Corporal. “É um livro que termina com a desintegração da linguagem, quer dizer, nada mais contrário à arte concreta. Mesmo assim eu me interessava pela arte concreta”, destacou.

Gullar recordou ainda que, por ser comunista, enfrentou perseguição no período da ditadura no Brasil e acabou tendo que sair do país. Morou em Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires. Foi na capital argentina que escreveu o Poema Sujo. De acordo com o escritor, ao mostrar o poema ao amigo Vinícius de Moraes, ele pediu que o gravasse. E foi assim, com a voz de Gullar, que Poema Sujo chegou ao Brasil. Depois de algumas cópias, a obra foi publicada em 1976. “A minha vida nasce do espanto. Eu nunca planejei ser poeta ou fazer carreira literária. O que me apaixona eu vivo”, disse.

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