23 de mar de 2016

A "presidenta" Dilma não se incomoda com ofensas de Lula às mulheres, critica apenas a sua divulgação

Desde que vieram a público as conversas telefônicas envolvendo altas personalidades do governo, obtidas por grampos telefônicos da Polícia Federal, com autorização da Justiça, militantes e simpatizantes do PT e da presidente Dilma vêm se encarregando de criticar o uso desse mecanismo para obtenção de provas e a publicização dos diálogos, pois estariam ferindo a Constituição, ameaçando a segurança nacional etc.

Estranha que muita dessas vozes, inclusive aquelas que se dizem conhecedoras do Direito e defensoras das minorias, não manifestem indignação com o palavreado chulo do ex-presidente Lula e do divertimento que causou à presidente Dilma alguns dos seus preconceitos contra as mulheres. Vale lembrar que ao assumir o governo, ainda no primeiro mandato, Dilma para dizer que valorizava a mulher exigiu o tratamento de "presidenta", portanto caberia a ela, ainda que discretamente, ter advertido o seu antecessor quando usou expressão preconceituosa contra o sexo feminino.

Numas das conversas grampeadas, quando fala diretamente com Dilma, Lula "brinca" ao relatar a chegada de cinco policiais federais ao apartamento de Clara Ant, diretora do Instituto Lula. Segundo ele, quando observou pelo olho mágico cinco policiais federais querendo invadir seu apartamento, Clara Ant, na versão machista de Lula,  teria imaginado: "é um presente de Deus". Em outras palavras, quis dizer que ela estava tão carente sexualmente que aqueles homens iriam quebrar um jejum, mesmo que fosse à base de estupro.

Que faz a presidente diante desse relato? Ri e ainda repete às gargalhadas: "um presente de Deus!". Em outra conversa, Lula, dizendo que iria botar deputadas e senadoras para falar mal de um procurador da Justiça de Rondônia, que o denunciara, chega a perguntar ao interlocutor: "Onde estão as mulheres de grelo duro do PT?". 

A presidente Dilma também ouviu Lula xingar as mães de procuradores da República, ao chamá-los de "filhos da puta", e nada disse. Também não viu nenhuma ofensa ou exagero, quando ameaçou jogar as "tranqueiras" - presentes recebidos de outros chefes de Estado quando era presidente da República - na porta do Ministério Público e mandar os procuradores enfiar "tudo aquilo no cu". Ela diz: "eu também vou fazer o mesmo com os meus".

Agora um grupo de senadores e deputados de PT e outros partidos de esquerda foi ao Conselho Nacional de Justiça denunciar o juiz Sérgio Moro por ter obtido as conversas e divulgado. Para estes parlamentares causa perplexidade a divulgação ter sido feita no mesmo dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora nomeado Ministro Chefe da Casa Civil, causando indignação e espanto em toda a comunidade jurídica.

Estranhamente eles não questionam o conceito que Lula tem dos dirigentes das casas legislativas: "um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido...". Dilma também ouviu isso, mas as palavras não doeram nos seus ouvidos.

Nenhum comentário: