13 de mai de 2016

Quem tirou o PT do governo foi quem o botou onde ele jamais chegaria por suas próprias forças: os "golpistas"

Quando convinha, o "golpista" ajudava PT a manter sua força no governo
Um dos discursos mais enfadonhos dos últimos dias e que, infelizmente, os brasileiros estão sendo obrigados a ouvi-lo a todo instante, é o do golpe contra a presidente Dilma (PT) e a ilegitimidade de Michel Temer (PMDB), seu vice, de assumir a Presidência da República. O golpe a que se referem a presidente afastada e seus aliados é o processo que corre no Congresso Nacional, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar crimes de responsabilidades previstos em leis e na Constituição. Desde sua abertura, o governo, através de advogados e parlamentares da base aliada, participa passo a passo, ou seja, endossa a "legalidade do golpe". Quanto a Michel Temer, seria ilegítimo porque não foi votado, enquanto a presidente Dilma recebeu 54 milhões de votos.

Ora, o que o PT e seus aliados não explicam é a contribuição dada pelo PMDB para a eleição de Dilma ao colocar Michel Temer como seus vice. Milhões de votos foram recebidos por ela por quem simpatizava com ele ou foi cooptado pela máquinas do PMDB. Como votar num seria votar no outro, quem votou em Dilma votou em Temer, e vice-versa. Logo, Michel Temer poderia até não ter votos para se eleger presidente, mas tinha para ajudar a eleger um presidente.

Na discurso do golpe, pouca gente fala também que quem tirou Dilma do Palácio do Planalto não foi a oposição, mas a ex-base aliada. PSDB, DEM, Solidariedade e outros partidos de oposição não teria, nem na Câmara nem no Senado, votos suficientes para aprovar qualquer matéria, muito menos um impeachment de presidente. Já os que sustentaram os governos petistas desde 2013 tinham e provaram isso na hora do voto em plenário.

Manifestantes foram às ruas pedir para que o PT saísse do poder
Pouca gente do PT desconhece também que se o partido chegou ao poder não foi por mérito individual, mas pelas alianças formadas em 2002, para primeira eleição de Lula, com as forças mais conservadoras da política nacional: José Sarney, no Maranhão e no Amapá; Antônio Carlos Magalhães, na Bahia; Jader Barbalho, no Pará, e por aí foram os acordos antes inimagináveis.

Graças a essas aproximações de petistas com estas forças conservadoras, foi possível montar no Congresso Nacional uma base partidária capaz de aprovar qualquer coisa que o presidente pedisse ou quisesse. Quando essas forças saíram da sustentação do governo o que se viu foi um desastre, com a presidente Dilma sendo representada e defendida por políticos sem nenhuma expressão, sem articulação,  sem liderança nenhuma, sem influência junto aos outros partidos. Uma patota sem nenhuma coordenação,

Assim, fica fácil concluir que quem deu tanto poder ao PT dele tirou a força que muitos imaginavam que era exclusiva do partido, mas era apenas emprestada.

Nenhum comentário: