11 de mai de 2016

Muitos foram a Michel Temer para costurar acordos, mas o ponto final foi dado por José Sarney nesta quarta-feira

Desde a semana posterior ao domingo 17 de abril, em que foi aprovada na Câmara Federal a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), quem acompanha o noticiário nacional percebe uma romaria de políticos e empresários ao Palácio Jaburu, em Brasília (DF), residência oficial do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que nesta quinta-feira (12) ou no máximo na sexta-feira (13) - após concluída a votação no Senado -, deve assumir a Presidência da República, pelo menos até novembro deste ano, quando se encerrará o julgamento da presidente afastada.

Pela casa de Michel Temer passaram lideranças do PMDB, do PSDB, do DEM, do PTB e demais partidos que formam o conjunto da oposição que trabalhou pelo impedimento da presidente Dilma. Também por lá passaram presidentes das federações e confederações de Comércio, da Indústria, da Agricultura e de outros setores produtivos. Nessas conversas, foram sendo costurados acordos com vistas ao novo governo, contudo faltava o ponto final e ele foi dado na tarde desta quarta-feira (11), quando os portões do Palácio Jaburu mais uma se abriram, desta vez não para entrada de mais alguém, mas para a saída do seu ocupante, que foi ao encontro do ex-senador José Sarney (PMDB-AP), que, mesmo participando de todas as articulações para o desfecho da votação nas duas casas do Congresso Nacional, nunca se expôs para se manifestar contra ou a favor.

Além de pedir conselhos ao ex-senador, que já foi presidente do Congresso por três vezes, ex-presidente da República e governador do Maranhão, Michel Temer foi pedir permissão para anunciar o deputado Sarney Filho (PV) como integrante do seu primeiro escalão. O velho Sarney, claro, não tinha nenhuma objeção a isso, muito pelo contrário.

O registro desse fato serve para mostrar que, mesmo sendo diariamente anarquizado por seus opositores no Maranhão, José Sarney, sem mandato, continua sendo o político mais influente do Brasil. Tem sido assim desde o regime militar, sucedeu o último general (João Batista Figueiredo) a ocupar o Palácio do Planalto e foi fundamental para o impeachment de Fernando Collor de Melo (seu sucessor), bem como para as eleições de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).

Sua influência pesou também para que Michel Temer tivesse caminho aberto para chegar à Presidência da República e é por isto que, a partir da próxima semana, o Maranhão voltará a ter um nome na Esplanada dos Ministérios na capital federal. Fazer o quê?

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