23 de jun de 2016

Engana-se quem pensa que a Expoema é um evento privado, pois é público e do qual o Estado abriu mão

Das muitas besteiras que vêm sendo ditas sobre o cancelamento da Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema) uma delas diz que trata-se de um evento privado, portanto não faz sentido reservar uma área do Estado para realizá-la e esta imóvel ficar o ano inteiro sem utilização. Não é verdade, pois a Expoema,que em 2016 completa 60 anos, é um evento público, apenas foi transferido para a Associação dos Criadores do Maranhão (Ascem), no início do governo de Edison Lobão, porque o Estado não demonstrava interesse de continuar realizando, tampouco o Parque Independência foi dado à entidade dos pecuaristas; apenas houve um contrato para que ela cuidasse do imóvel, tirando esta despesa do erário público, mas nada impede o Estado de estar lá dentro.

Para se entender como tudo isto ocorreu, vale recordar o governo de Epitácio Cafeteira. Este, a exemplo do governador atual, Flávio Dino (PCdoB), não nutria simpatias pela pecuária, ou melhor pelos agropecuaristas, e se recusava a continuar realizando o evento, chegou até a suspendê-lo, ao contrário do estímulo que era dado pelos antecessores, principalmente João Castelo e Luiz Rocha. Para garantir sua continuidade, mas tirando a despesa do Estado, o ex-governador Lobão concordou em transferir sua organização para a Associação dos Criadores e delegou a gerência do Parque Independência a este órgão, garantindo assim um espaço adequado, assim como fez anos depois José Reinaldo Tavares, que comprou, em Balsas, a Fazenda Sol Nascente, para a Fundação de Amparo à Pesquisa no Corredor de Exportação Norte (Fapcen) mantivesse a Agrobalsas numa boa estrutura. 

O contrato de cessão do Parque Independência foi ratificado em 2009, pela ex-governadora Roseana Sarney, e sua validade vai até 2026.

Vale avisar também aos que estão fazendo confusão sobre esse tema que em todos os estados do Brasil há exposições agropecuárias mantidas pelo poder público, pois trata-se de um estímulo à produção rural, assim como um arraial junino é um estímulo ao folclore; o carnaval, à cultura popular etc. Portanto, se o Governo do Estado quiser, ele faz a Expoema, ao seu modo, e tira a Associação dos Criadores do comando, já que esta entende que para fazer um evento em alto estilo, lucrativo, de apelo popular... não há mais tempo, pois isto deveria ter começado em abril e desde março o Estado não sinalizou se pretendia ou não consentir sua montagem no Independência, do qual a Ascem está sendo afastada.

Não procede também o argumento do Governo do Estado de que São Luís não seria o local ideal para sua realização, já que não tem tradição pecuária. Pode ser, mas uma feira desse porte, que atrai pessoas de todo o país, demanda serviços de hoteleira, de transporte aéreo, de restaurantes, transporte interno (táxi e ônibus) e outros itens para que seja realmente um evento de sucesso. Que cidade do Maranhão poderia oferecer tudo isto, além de Imperatriz, onde já se realiza a Expoimp?

Não se deve esquecer também que é uma festa da cidade, que cria opções de lazer, fomenta o turismo de negócios, gera milhares de empregos temporários, estimula a descoberta científica etc. Não realizá-la é uma insensatez.

Mas aos que dizem não haver na Ilha produção pecuária que justifique uma Expoema, vão aqui os números sobre os rebanhos de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar, somados: bovinos, 5 mil reses; suínos, 12 mil 174 animais; ovinos, 2 mil 600; caprinos, 2 mil 500; e equinos, 850. Os números, insuspeitos, são da Agência de Dfesa Agropecuária do Maranhão (Aged-MA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura (Sagrima).

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