21 de jun de 2016

Zé Reinaldo comprou Sol Nascente e botou Agrobalsas; Flávio Dino tirou Expoema do Parque Independência

Exposição Agropecuária do Maranhão está inviabilizada pelo Estado
Desde abril passado, quando este blog noticiou em primeira mão que o Governo do Estado havia reivindicado o Parque Independência, apesar de estar em vigor, com validade até 2026, um contrato de comodato com a Associação dos Criadores do Maranhão (Ascem), é sabido que a Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema) estava ameaçada, por falta de espaço, já que os diretores da entidade não vinham encontrando abertura para dialogar com as autoridades estaduais uma alternativa a fim de manter o evento, que está completando 60 anos.

Os meses se passaram, os debates foram se aprofundando e somente agora, depois que a repercussão negativa tomou conta de todos os setores produtivos e outros segmentos da sociedade, em todo o Maranhão (e fora do estado também), o governo tratou de se explicar. Primeiro despachou, segunda-feira, um membro da Sagrima para negociar com a Ascem uma saída, em vão, pois não há mais tempo hábil para se montar uma feira dessa grandeza (não é arraial junino que se monta numa semana) e por último surgiu a história do programa de habitação popular.

Convenhamos, se o governo estiver atrás de áreas para construir moradias basta procurar em seus arquivos, e vão aqui algumas dicas:

  • Todas as terras que pertencem ao extinto Ipem, inclusive o Sítio Santa Eulália, no Jaracati, cortado pela Via Expressa, e parte do Calhau, terão de ser vendidas, portanto basta pegar um pedaço e fazer casas, apartamentos e o que mais quiser
  • No entorno do Castelão, no Outeiro da Cruz ou Barreto, há terrenos subutilizados que dariam para construir muitos apartamentos
  • Por que não fazer casas no Parque Folclórico da Vila Palmeira, que também funciona uma vez por ano?
  • Por que o governo não pega a área recreativa do Ipem, no Calhau, e constrói casas populares de frente para o mar?

Fazenda Sol Nascente, em Balsas, cedida pelo Estado para a Agrobalsas
A verdade é que o governo não gosta do agronegócio, detesta pecuaristas e agricultores de média porte para cima e encontrou uma desculpa para inviabilizar o evento, numa visão míope, bem diferente, por exemplo, do ex-governador José Reinaldo Tavares, que desapropriou uma área em Balsas, a Fazenda Sol Nascente, para que a Fundação de Amparo à Pesquisa no Corredor de Exportação Norte (Fapcen) pudesse fazer a Agrobalsas num espaço adequado, já que antes era numa fazenda privada. Zé Reinaldo enxergava longe. O espaço é público; o evento é privado. E daí, se quem ganha é o Maranhão?

Duvida-se muito que o governo tenha coragem de fazer o mesmo com o Parque de Exposição de Bacabal, onde se realizava a Expoaba, que foi cedido, também pelo Estado, a uma associação presidida pelo ex-prefeito e ex-deputado Zé Vieira e este desafia quem queira tomá-lo. O parque está abandonado, com as construções em ruínas, o mato tomando conta, mas que ninguém se meta.

Às margens da Via Expressa há terrenos de sobra para se construir casas
Agora o discurso de que o Parque Independência é público e a Expoema privada, por isto o governo não tem culpa dela não se realizar, é furado. A título de comparação, o Castelão é um estádio público e nele só se realizam eventos privados: Campeonato Maranhense, que é da Federação Maranhense de Futebol (FMF) e Campeonato Brasileiro, que é da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Se o governo fechasse agora esse estádio prejudicaria ou não prejudicaria o futebol maranhense? Inviabilizaria ou não inviabilizaria a participação dos clubes locais nestas competições?

Por fim, em dezembro de 2015 foi apresentado, na presença do vice-governador, Carlos Brandão, e do diretor geral da Aged, Sebastião Anchieta, um projeto de recuperação, modernização e abertura do parque para a comunidade no entorno, bem como foi anunciada a Expoema deste ano, ou seja, o governo soube de tudo com bastante antecedência e poderia ter dito lá atrás que não queria nada disso,e talvez a feira fosse realizada em outro local, mas não romper contratos em cima da hora e agora buscar desculpas para suas falhas.

Nenhum comentário: