18 de ago de 2016

Apesar dos rigores da lei, disputa eleitoral de 2016 tende a ser uma das mais desiguais que já se teve conhecimento


A campanha para prefeito e vereador deste ano, salvo melhor interpretação, tende a ser uma das mais desiguais que se tem conhecimento e a desigualdade nasce da tentativa da Justiça Eleitoral de torná-la mais igualitária possível, mas sem atentar para algumas questões, e quanto mais tenta nivelá-la, mais o nível não encontra ponto de apoio para deixá-la retilínea.

A primeira desigualdade diz respeito ao tempo de propaganda a que têm direito os candidatos, que foi reduzido para menos de dois meses, e isto significa dizer que os detentores de algum cargo, pelo tempo de exposição que tiveram ao longo dos últimos quatro anos, estão melhor situados do que aqueles que estão chegando agora, pois estes terão pouco tempo para se apresentar e se confrontar com aqueles.

Mas não fica por aí. Veja este outro exemplo: Todos os profissionais de imprensa que trabalham em rádio ou televisão e decidiram disputar algum cargo tiveram de sair do ar ainda em junho. A regra não se aplica, no entanto, a deputados que também são candidatos. Estes podem ir todos os dias para a Assembleia, subir a tribuna, discursar e ter espaço garantido nas transmissões ao vivo da TV Assembleia e nas repetições da programação da emissora.

Não bastasse isto, o Poder Legislativa tem contrato com diversas emissoras comerciais para divulgação de um programa seu, onde é feito um resumo das sessões na Casa e deles têm direito de participar todos os deputados, independentemente de serem candidatos ou não a outros cargos.

Não sei em quantas emissoras do interior a Assembleia Legislativa tem espaços reservados para divulgar seus feitos, mas suponhamos que tenha em Bacabal. Isto fará uma grande diferença em favor do deputado Roberto Costa, que disputa a prefeitura deste município. Se tiver em alguma repetidora de Buriticupu no orçamento da AL, a beneficiada será a deputada Francisca Primo. Em São Luís, pelo menos dois disputam o cargo de prefeito: Wellington do Curso (PP) e Eduardo Braide (PMN), portanto, mais tempo de exposição para eles. E por aí vai a cegueira da Justiça Eleitoral.

Enquanto isto, o apresentador de um programa de rádio ou TV agora só pode se comunicar no horário da propaganda eleitoral gratuita, enquanto o parlamentar, além do horário do TRE, garante sua participação em outros programas pagos pela Assembleia.

Outra desigualdade, e esta gritante, diz respeito à cobertura da campanha. Nestes tempos de comunicação pela internet, quem não fechou contrato com algum blogueiro, dificilmente vai aparecer positivamente, pois cada um vai falar bem de quem os patrocina, e mal dos adversários do patrocinador. Os sem contrato até podem fazer a diferença, mas é difícil encontrar alguém com perfil tão tolerante assim, até porque sabe que a mesma notícia que está dando gratuitamente, pela vocação de querer informar bem, alguém está dando remuneradamente, ou seja, pode estar passando atestado de “otário”.

Impossibilitados de mudar as regras, vamos nós, torcendo para que um rasgo de lucidez conduza o eleitor a não se deixar levar pela enganação.

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