28 de ago de 2016

Governar São Luís é seguir receita do sábio guru indiano: maltratar à exaustão para depois aliviar o sofrimento


Um homem desempregado, endividado, abandonado pela mulher, sem enxergar perspectiva de vida, resolve procurar um guru indiano a quem revela estar tentado a se matar diante de quadro tão perturbador. Do alto de sua sabedoria, o guru pede calma e sugere que ele adote uma vaca, trate como uma criança, com banhos e comida na hora certa e ambiente sempre limpo, pois esta devoção iria mudar radicalmente sua vida.

O homem segue o conselho, mas vê aumentarem os problemas, com o excessivo cuidado ao bicho, que comia demais, cagava demais e seu amo, coitado, estava sempre ocupado em cortar capim, dar banho na vaca e limpando a casa, já que estava instalada na sala de visitas. Um desespero sem fim!

Um mês depois, conforme o combinado, o homem volta ao guru e relata como seus dramas aumentaram e por isto estava mais determinado ainda a dar cabo na sua vida. O indiano, mais uma vez usando a sabedoria, pede calma e recomenda que o homem tire a vaca da casa e retorne uma semana depois. Dito e feito. Ao chegar para a terceira consulta, vem a pergunta: como está sua vida agora? Mais aliviada, guru! – diz o homem. Diante da resposta o orientador espiritual comemora o milagre: Viu? Agora você já pode recomeçar sua vida, pois está renovado, com a mente aliviada, tudo foi superado. Esqueça a tentação da morte. O homem, aliviado, comemora o recomeço.

A parábola serve de exemplo sobre como vem sendo a tática dos prefeitos de São Luís nas últimas décadas: maltratar a população à exaustão para, nos meses finais do mandato, oferecer paliativos para os sofrimentos que a própria prefeitura causou e assim mostrar que pode ser dada uma segunda chance ao prefeito de plantão. Vem sendo assim desde a volta da eleição direta e neste governo apenas se repete.

Quando assumiu o comando do município em 2013, fazendo valer as promessas de transformar São Luís numa cidade de padrão europeu, Edivaldo Holanda Júnior disse em seu discurso que iria cuidar da sua reconstrução, mas ficou aí.

O que viu nestes três anos e meio da atual administração foi o abandono da cidade e a culpa sempre foi a falta de parceria com o Estado. Ruas esburacadas, lixo acumulado, ruas e avenidas mal iluminadas, praças mau cuidadas, hospitais superlotados, escolas deterioradas e uma série de outros desleixos. Em 2016, começou, então, a ação do prefeito: máquinas nos bairros, lâmpadas trocadas, lixo recolhido, praças varridas e uma série de outras melhorias que a população vinha aguardando desde 2013, para ser mais sincero desde 2009 (começo do governo Castelo) ou para ser mais rigoroso ainda, desde Mauro Fecury.

De uma hora para outra, quem andava na lama pisou no asfalto; quem temia a escuridão viu a luz; quem se incomodava com lixo sentiu a limpeza e assim foi-se verificando uma série de melhorias para uma pequena parcela da população mas que se transformou, na propaganda oficial, um benefício para toda a população. Em muitos bairros a situação continua a mesma ou pior, porém por ouvir dizer que em outro lado da cidade as melhorias já ocorreram e sua rua será a próxima a ser beneficiada, alguns começam a imaginar que a cidade realmente está melhor. Para quem não lembra foi assim no último ano da gestão de João Castelo que dizia à população: “Se o asfalto ainda não chegou na sua porta, aguarde, pois está chegando!” O problema é que se não chegar até o final de setembro, somente em 2020, quando será realizada nova eleição, essa possibilidade pode se tornar real ou virar uma promessa requentada.

Tem sido assim, infelizmente, mas fazer o quê se o povo quer é desse jeito?

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