1 de set de 2016

Dilma senadora pelo Maranhão faria dela um Assis Chateaubriand de saias e Flávio Dino um Vitorino Freire

Prefiro acreditar em fantasia ou extremo delírio as informações desta quarta-feira (31 de agosto) sobre o futuro da ex-presidente Dilma (foto) em que o Maranhão é apontado como uma saída para lhe garantir foro privilegiado a fim de afastá-la das garras do juiz federal Sérgio Mouro, já que, apesar do impeachment, teve os direitos políticos preservados.

Coube ao jornalista Merval Pereira, da Globo News, levantar a primeira bola para esse debate, ao dizer que ela poderia se transformar secretária de estado no Maranhão ou em Minas Gerais, a convite do governador Flávio Dino ou Fernando Pimentel. O jornalista Diego Emir foi mais longe, ao afirmar que ela pode mudar seu domicílio eleitoral para o estado e concorrer ao Senado em 2018. Ele diz, sem citar nomes, que a ideia teria sido ventilada por deputados federais do Maranhão.

Mas suponhamos que esta segunda tese vigorasse. Ora, seria o mesmo que o governador Flávio Dino, o defensor da causa, repetir o que fez Victorino Freire em 1954 ao trazer Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados, para ser senador pelo Maranhão após ter sido derrotado para o mesmo cargo no seu estado, a Paraíba, ou então mirar-se em José Sarney, que em 1990 transferiu seu título, do Maranhão para o Amapá, onde se elegeu senador, para também ganhar foro privilegiado.
 Só a título de ilustração, para eleger Chateaubriand senador, Vitorino forçou as renúncias tanto do senador Antônio Bayma quanto do suplente Newton Bello, que sequer chegaram a tomar posse, numa verdadeira ofensa aos brios do povo maranhense, ofensa que se repetiria se algum político cedesse a esse tipo de chantagem em 2018 para proteger a ex-presidente.

Quanto à especulação de Merval Pereira, salvo melhor interpretação, colocaria a ex-presidente na mesma condição do antecessor e padrinho político Lula, que ela tentou nomear ministro chefe da Casa Civil, a fim de lhe dar um foro privilegiado, já que também é investigado por Sérgio Moro. A nomeação de Lula foi abortada pelo Supremo Tribunal Federal, que entendeu tratar-se de uma manobra para obstrução da Justiça, logo, o governador que a nomeasse secretária também estaria obstruindo a Justiça.


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