30 de set de 2016

Em 1h45 de debate na TV Mirante, discurso de Edivaldo nos 45 dias de propaganda no rádio e TV foi desmontado

Edivaldo (C), no primeiro debate, frustrou eleitor com desmonte do discurso
O prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), pelo que se viu na noite desta quinta-feira (29), na TV Mirante, estava correto em não querer participar de debates com seus adversários nesta corrida pela Prefeitura de São Luís, pois em apenas 1h45 foram desmontados todos os seus discursos de 45 dias de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, já que não eram 100% fundamentados na realidade.

Sobre coleta de lixo, o prefeito não soube explicar, por exemplo, uma indagação do candidato Wellington do Curso (PP) sobre a existência de 600 lixões espalhados na cidade. Edivaldo preferiu se vangloriar de haver acabado com o Aterro da Ribeira e transferido o depósito de lixo para outro lugar. Faltou dizer, porém, que a extinção do Lixão da Ribeira foi uma decisão do Ministério Público porque vinha ameaçando, com a concentração de urubus, pousos e decolagens de aeronaves no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado. O novo aterro não foi o prefeito que fez, até porque está em outro município, Rosário, e é privado, ou seja, a Prefeitura está pagando com a exportação de lixo para fora dos seus limites.

O prefeito foi surpreendido também com a revelação de que nunca mandou o Plano de Saneamento Ambiental para a Câmara Municipal, como lembrou o deputado Eduardo Braide (PMN). Edivaldo diz que mandou, porém nem os vereadores não sabem em que lugar do parlamento municipal ele se encontra.

A pior revelação foi o fato de o prefeito, que tanto propagandeou a reforma do Hospital da Mulher, nunca ter providenciado um mamógrafo, apesar de haver uma emenda parlamentar de Eduardo Braide no valor de R$ 300 mil. Não comprou simplesmente porque não enviou a documentação à Secretaria Estadual de Saúde para que sua aquisição fosse providenciada.

No quesito habitação, ficou provado que Edivaldo não construiu uma das 11 mil casas que diz ter feito, pois todas são do governo federal, pelo Minha Casa, Minha Vida, muitas delas iniciadas na gestão de João Castelo (PSDB). O que a prefeitura não fez foi a contrapartida: escolas, postos de saúde, melhorar acesso etc, por isto muitas dessas residências ainda não foram ocupadas pelos mutuários.

Sobre as famosas creches, Edivaldo admitiu que das 20 prometidas em 2012 apenas seis saíram do papel: quatro em construção e duas ainda com terrenos na terraplenagem. Para ele, a culpa foi da crise econômica, o que impediu o governo federal de fazer os repasses a tempo.

Quanto ao turismo, apesar dos números da Infraero atestarem uma queda brutal no movimento de passageiros, o prefeito insiste que vem incentivando o setor, mas foi confrontado com as medidas tomadas para suspender o carnaval no primeiro ano e ainda não ter pago os cachês das brincadeiras juninas que se apresentaram no São João deste ano. O incentivo à cultura, que atrai turistas, ele ficou devendo.

Outro setor que o prefeito tanto se vangloriou na propaganda eleitoral, o apoio à agricultura familiar, suas medidas foram confrontadas com o fato de estar há mais de seis meses sem pagar os agricultores que fornecem para a merenda escolar. E mais: os 30% de merenda escolar com produção local não é uma iniciativa sua, mas uma obrigação legal.

Sobre o esporte, basta lembrar que não conseguiu sequer reformar o Estádio Municipal Nhozinho Santos.

Resumindo, se Edivaldo tivesse participado de mais debates, talvez estivesse numa situação mais complicada do que tentam amenizar as pesquisas de intenção de voto. Resta saber se os efeitos do debate da Mirante vão se refletir na decisão do eleitor.

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