2 de mar de 2017

Governo do Estado reclama da cobertura jornalística do carnaval, mas esquece dos veículos que ele discriminou

Não foi apenas Globo que não deu a divulgação que o governo queria do carnaval
Auxiliares e simpatizantes do governador Flávio Dino (PCdoB) têm ocupado as redes sociais para criticar a Rede Globo e em especial sua filiada no Maranhão, TV Mirante, porque não mostraram, em nível local e nacional, aquilo que o Governo do Estado gostaria de mostrar e não o que o departamento de Jornalismo dessa emissora escolheu para exibir. A crítica procede, porém é preciso explicar também para a população a opção que o Governo fez para divulgar a propaganda do carnaval e indagar por que as outras redes - Bandeirantes, SBT, Record, Rede TV!, Record News etc - e os portais de maior expressão - UOL, G1, Terra - e outros veículos também ignoraram a folia maranhense.

O assunto deveria ser reclamado pelos departamentos comerciais dos veículos discriminados, mas como se trata de verba pública caberia também ao Ministério Público indagar as agências de publicidade contratadas pelo Governo para saber qual foi o critério adotado para veiculação da propaganda oficial, pois pelas regras constitucionais a publicidade de governo tem de ser educativa, impessoal e a mais abrangente possível. Quanto a este último quesito, implícito está que não pode se privilegiar veículos em detrimento de outros que tenha maior abrangência de cobertura, sob pena de colocar o governo em estado de suspeição.

Para que o leitor tenha compreensão, desde o início de fevereiro, Governo e Prefeitura massificaram a veiculação de um filme sobre o carnaval de São Luís em quase todas as emissoras de TV, com exceção da Mirante (Globo) e TV Maranhense (Bandeirantes). Somente os telespectadores de Difusora (SBT), São Luís (Rede TV), Guará (Record News) e Cidade (Record) puderam ver essa propaganda. Agora pergunta-se: quantas inserções foram veiculadas em nível nacional pelas redes dessas emissoras?

A mesma discriminação ocorreu com as mensagens de áudio no rádio, pois algumas (o leitor deve supor quais) foram excluídas, e com a divulgação da propaganda impressa. De quinta (23) a terça-feira (28) foram veiculado anúncios de página inteira (em policromia) em alguns jornais (não se sabe precisar quantos), menos em O Estado do Maranhão. Por outro lado, diversos blogs e sites de linha editorial do agrado do governo também foram contemplados com banners, vídeos etc, enquanto outros foram completamente ignorados, independentemente de terem mais acessos ou não, o que pode ser medido pelo Google Analytic.

Flávio Dino no carnaval do Maranhão: imagem não foi mostrada para o Brasil
Por ter adotado esta linha, o governo perde razão para reclamar de discriminação por parte de uma emissora, pois foi o primeiro a discriminar, e deveria chamar os aliados das demais TVs e cobrar destes o porquê de suas redes também terem esquecido que havia carnaval no Maranhão.

Ao Ministério Público cabe saber se a distribuição da verba publicitária do Governo do Estado e da Prefeitura de São Luís foi feita de maneira republicana ou se houve privilégios a quem segue à risca a cartilha da Secretaria de Articulação Política e Comunicação (Secap). Um bom tema para um bom debate!

A propósito, se o Governo propaga que o carnaval, com ou sem Mirante e Globo, foi um sucesso, por que se magoar por elas não terem mostrado?

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