2 de abr de 2017

Campeonato Maranhense encerra primeiro turno e nem sinal de TV, apesar do patrocínio do Governo do Estado

Após 36 partidas, iniciadas em 21 de janeiro, o Campeonato Maranhense de Futebol 2017 teve seu primeiro turno encerrado neste sábado (01), com a conquista do título de campeão pelo Cordino, de Barra do Corda (Leia reportagem em Maranhão Hoje), sem que um jogo sequer tivesse sido transmitido por emissora de televisão, e isto, apesar de ser uma competição de caráter privado, pode acabar despertando interesse do Ministério Público, da Assembleia Legislativa e até mesmo do Tribunal de Contas do Estado, porque há financiamento estatal e alguém precisa explicar qual destino dado ao dinheiro público. Se o Procon quisesse também sairia em defesa do consumidor, que foi prejudicado, mas estas coisas nem sempre acontecem como a população gostaria.

No mês de fevereiro, já com o campeonato em andamento, o governador Flávio Dino (PCdoB) reuniu os dirigentes dos clubes envolvidos na competição, jornalistas e outros convidados para anunciar a liberação de R$ 1,8 milhão. O dinheiro, como se sabe, seria da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), mas como ela se beneficiou da Lei de Incentivo ao Esporte, por este investimento, o Estado assumiu a paternidade do patrocínio, e assim todos os clubes foram obrigados a exibir sua logomarca nos uniformes.

Ao anunciar o investimento, Sua Excelência deixou claro que R$ 900 mil seriam para os oito clubes, o que daria uma média de R$ 112,5 mil para cada um; a outra metade seria para a Federação Maranhense de Futebol (FMF) custear as despesas com cobertura do evento, inclusive as transmissões ao vivo das partidas por uma emissora de TV, e aí começam a surgir as dúvidas sobre o que de fato aconteceu.

Flávio Dino (E) e o deputado Sérgio Frota, presidente do
Sampaio e Amaclube: dinheiro para o futebol
A TV Guará (Record News), do empresário Roberto Albuquerque, tinha como certa a continuidade do seu contrato de exclusividade com a FMF para ser a emissora oficial do campeonato, o que teria ficado acertado em 2016, quando transmitiu os jogos. O que Roberto Albuquerque não contava era que o deputado Wewerton Rocha (PDT), um dos maiores aliados do governo, iria se transformar em barão da comunicação, primeiro como arrendatário e agora com um dos proprietários do Sistema Difusora de Comunicação (rádio e televisão), e por isto a preferência foi dada a ele.

Albuquerque ameaçou ir à Justiça, mas não se sabe se foi ou não. O certo é que metade do campeonato já foi, vêm aí as partidas do segundo turno (bem mais curto que o primeiro) e até agora nem sinal de TV, mas o dinheiro já foi liberado. Com quem está é uma incógnita.

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