12 de abr de 2017

Flávio Dino pediu certidão à Câmara Federal para provar sua inocência bem antes do vazamento da lista de Fachin

Para provar que não obteve favores da construtora Odebrecht, que na delação de um dos seus diretores afirma tê-lo beneficiado com R$ 400 mil, quando ainda era deputado federal, o governador Flávio Dino (PCdoB) divulgou certidão da Câmara Federal, assinada por Alexandra Zaban Bittencourt, secretária executiva da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, da qual foi presidente, na qual atesta que ele não relatou projeto de lei de interesse da empreiteira.

O curioso é que o documento foi assinado dia 17 de março, isto é, quase um mês antes do vazamento nesta terça-feira (11) da lista dos denunciados pelo Ministério Público Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual está incluído, mas vai ser investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por não ter foro no STF. A vinda à tona dessa certidão põe em dúvida o sigilo da informação, pois se ele recebeu isto com bastante antecedência é sinal de que já sabia que estava na relação do MPF.

No seu depoimento, o executivo da empreiteira que fez a delação, José de Carvalho Filho, não fala em relatoria do projeto. Ele diz apenas que no ano de 2010 participou "de reuniões com o então deputado federal Flávio Dino, tratando de questões acerca do Projeto de Lei 2.279/2007, o qual atribuiria segurança jurídica a investimentos do Grupo Odebrecht. Num desses encontros, teria lhe sido solicitada ajuda para campanha eleitoral ao governo do Estado do Maranhão, pagamento efetuado no total de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais)". 

Ainda de acordo com a delação de Carvalho Filho, a senha para receber o repasse teria sido entregue à época ao próprio parlamentar, ou seja, a Flávio Dino, sendo a operação realizada pelo Setor de Operações Estruturadas e registrada no sistema “Drousys”. 

Na sua defesa, o governador diz que foi designado relator do projeto sobre proteção de investimentos em Cuba contra Estados Unidos e jamais deu parecer ou apresentou qualquer manifestação. "Nunca escrevi uma linha na tramitação do projeto. Basta consultar site Câmara", garante, sem fazer menção à senha que teria recebido.

Flávio Dino garante que é inocente. “Não me incluo nessa lista de autores. Por isso, reafirmo: SE um dia for investigado, em qualquer lugar, a conclusão vai ser a mesma de sempre: tenho vida limpa e honrada“, diz. Leia reportagem sobre o tema em Maranhão Hoje.

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