1 de mai de 2017

Belchior foi um dos cantores que mais souberam embalar sonhos da juventude num período de grave crise política

O cantor e compositor Belchior, que faleceu neste domingo (30), foi, sem dúvida, um dos cantores que mais embalaram os sonhos de juventude, período em que o país vivia um dos momentos mais delicados no campo da política. Nascido no interior do estado, em Monção, embora tenha passado a maior parte da minha infância e juventude em Pindaré-Mirim, foi em São Luís que tive maior contato com suas canções, que para mim eram mensagens sobre os rumos a tomar. Leia reportagem em Maranhão Hoje.

Daquela época, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso eram os preferidos dos que viviam na contestação, mas ele a mim transmitia uma revolta romântica, que tocava fundo na alma dos que buscavam dias melhores para si e os seus.

Uma das canções mais emblemáticas desse grande compositor que vai deixar uma lacuna difícil de ser preenchida é "Tudo Outra Vez", que diz:

Há tempo, muito tempo
Que eu estou
Longe de casa
E nessas ilhas
Cheias de distância
O meu blusão de couro
Se estragou
Oh! Oh! Oh!...

Ouvi dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou
Oh! Oh! Oh!...

Sentado à beira do caminho
Prá pedir carona
Tenho falado
À mulher companheira
Quem sabe lá no trópico
A vida esteja a mil...

E um cara
Que transava à noite
No "Danúbio azul"
Me disse que faz sol
Na América do Sul
E nossas irmãs nos esperam
No coração do Brasil...

Minha rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade"
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar...

Gente de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar...

Até parece que foi ontem
Minha mocidade
Com diploma de sofrer
De outra Universidade
Minha fala nordestina
Quero esquecer o francês...

E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez...

Minha rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade"
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar...

Gente de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar
Hum! Huuum!...


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