15 de jul de 2017

Governo vai gastar R$ 1,3 milhão para recuperar Parque Independência em setembro e irá destruí-lo em outubro

Parque Independência se encontra em completo estado de abandono, mas o
Governo do Estado vai gastar R$ 1,3 milhão recuperá-lo e depois destruí-lo
A teimosia de querer realizar em setembro, ou seja, daqui a pouco mais de um mês, a Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema) mostra que o governador Flávio Dino (PCdoB) está disposto a enterrar no Parque Independência, que se encontra em completo estado de abandono, R$ 1,3 milhão dos cofres públicos numa reforma que será desfeita no mês seguinte ao evento, numa ação perdulária que merece uma melhor atenção da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), do Ministério Público, da Defensoria Pública do Estado e de segmentos organizados da sociedade civil, pois é um gasto que não faz o menor sentido, pois servirá apenas para o governador dizer nos palanques em 2018 que não foi na sua gestão que este evento do agronegócio acabou.

Depois do abandono pelo Estado, até as portas dos estandes foram levadas
Para que o leitor entenda o que está ocorrendo, em março de 2016 o Governo do Estado quebrou um contrato de comodato com validade até 2022, expulsou a Associação dos Criadores do Maranhão (Ascem) do Parque Independência e inviabilizou a realização da 60ª Expoema. O argumento de necessidade urgente para dar um outro destino ao imóvel não se confirmou, pois está em completo estado de abandono e até ameaçado de invasão, como pode ser visto nas fotos desta postagem.

Este ano, o governador sinalizou com um apoio para a volta do evento, desde que fosse realizado fora de São Luís, e a primeira opção foi por Bacabal, mas o prefeito Zé Vieira não cedeu o parque de exposição que pertence ao Estado, mas dele se apossou e não há quem o obrigue a devolver ou tenha coragem de quebrar o contrato de comodato assinado com a Associação dos Criadores do Mearim, por ele criada e presidida. 


Um dos imóveis destinados a estande tomado pelo mato e semidestruído
Inviabilizada a alternativa Bacabal, o evento foi levado para Santa Inês, mas aí criou-se um impasse: o dinheiro público iria ser aplicado na melhoria de um parque privado, o Toca do Vale, ou seja, passado o evento todos os benefícios para sua adequação ficariam com seu dono.

Inviabilizada mais esta alternativa, a saída foi trazer o evento de volta para a capital, para o mesmo Parque Independência tomado em 2016, porém como está muito próximo de setembro, quando tradicionalmente era realizado, foi marcado, pela Ascem, para a última semana de outubro ou primeira de novembro. Depois deste anúncio, contudo o secretário de Agricultura, Márcio Honaiser, veio a público informar que a exposição será na primeira semana de setembro e que o patrocínio de R$ 1,3 milhão está mantido pelo Estado para recuperar o parque, e aí vem o grave da informação:


Assim era o Parque Independência antes da intervenção do Estado em 2016
A Expoema tem de ser realizada em setembro porque em outubro o parque será destruído e nele será construído um condomínio residencial para servidores públicos, ou seja, o Estado vai gastar R$ 1,3 milhão para reformar um imóvel e depois destruí-lo, e isto não faz o menor sentido, pois contraria o discurso do governador Flávio Dino de ser tão zeloso com o dinheiro público, até porque qualquer pessoa com o mínimo de bom senso e conhecimento sobre o assunto sabe que um mês e meio não é tempo hábil para se montar uma exposição do porte da Expoema, nem mesmo daria tempo para limpar e recuperar o parque, muito menos organizar leilões de animais, preparar concursos, comercializar estandes, elaborar uma agenda de shows, trazer expositores de outros estados, enfim, o máximo que se pode fazer é transformar a Expoema numa Agrofeira e criar um constrangimento para o Maranhão porque nem de longe se comparará àquele que já foi um dos cinco maiores eventos do agronegócio do país.

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