11 de ago de 2017

Governo do Estado despeja Associação dos Delegados de Polícia de casarão colonial no Centro Histórico de São Luís

Sede da Associação dos Delegados de Polícia é um dos melhores exemplos
de conservação no Centro Histórico, mas o Governo está pedindo de volta
O Governo do Estado decidiu romper unilateralmente o contrato de cessão de um casarão colonial na Rua Herculano Parga, no Centro Histórico de São Luís, para funcionamento da Associação dos Delegados de Polícia do Maranhão (Adepol-MA), onde ela está instalada desde 1990 quando foi assinado contrato com o então governador João Alberto de Souza (PMDB).

A alegação de que precisa do imóvel para transferir um arquivo da Secretaria de Segurança Pública não convence a diretoria da entidade, já que o material a ser transportado não tem a menor condição de ser retirado de onde está, pois "pode virar pó", segundo o delegado Marconi Chaves Lima, presidente da associação.

Casarão estava abandonado e foi total reformado pela Adepol
Para Marconi Lima, a reivindicação parece retaliação, pois no último dia 07 houve uma assembleia no local em que foi decidido um protesto contra o Governo do Estado, por não vir atendendo as reivindicações da categoria, tampouco manifestar disposição de conversar, movimento este que foi suspenso, e a data da assinatura do documento pela Procuradoria Geral do Estado, reivindicando o prédio, é a mesma da assembleia.

Marconi Lima diz que desde sua ocupação, o casarão foi totalmente reformado, do telhado ao piso, e é um dos melhores exemplos de conservação do casario colonial da capital. A reforma foi concluída em 2014, quando São Luís completou 402 anos de fundação. "Um presente à cidade". Ele não tem a menor dúvida de que tão logo seja desocupado vire ruína novamente.

Material que o Estado quer levar para o casarão de Adepol
O dirigente da Adepol diz que o contrato assinado pelo ex-presidente Lourival Mendes com João Alberto previa uma cessão até 2012, mas que seria considerado renovado se na data não houvesse manifestação de nenhuma das partes, e nem o Estado nem a Associação tomou essa iniciativa, portanto para todos os efeitos o contrato estava vigente.

No ofício encaminhado à Adepol, a Procuradoria do Estado diz que, como o contrato venceu há cinco anos, a situação é de expurgo, ou seja, os delegados saem ou serão retirados.

Para Marconi Lima é lamentável que isto ocorra quando o secretário de Segurança, Jefferson Portela, é um ex-presidente da entidade, e tenha pretensão de ser candidato na eleição do próximo ano.

O deputado federal Aluízio Mendes (Podemos), ex-secretário de Segurança, lamentou a decisão. Além de Aluísio, outro ex-secretário é parlamentar, Raimundo Cutrim (PCdoB), deputado estadual, que certamente também vai se pronunciar.

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