16 de set de 2017

"Romper ou não romper", eis o dilema de Carlos Brandão após o retorno do senador Roberto Rocha ao ninho tucano

Carlos Brandão (D) vai ter de  escolher: ficar no PSDB sem companhia do
governador ou ficar com Flávio Dino e perder o PSDB e de troca, força política
O vice-governador Carlos Brandão enfrenta um dos momentos mais dramáticos de sua carreira política, pois sente um desconforto danado no ninho tucano com a volta do senador Roberto Rocha, mas não tem garantias de que teria vida mais fácil fora do PSDB.

Talvez, por isto mesmo, na condição de presidente, tenha sido a única instância do partido que não se pronunciou oficialmente contra o convite de filiação feito pelos dirigentes nacionais ao senador, como fizeram Instituto Teotônio Vilela, PSDB Mulher e Juventude do PSDB. É como se não quisesse se comprometer tanto enquanto procura uma saída menos traumática para esse problema, pois sabe que sem comando de uma legenda passa a ser apenas "mais um" que pode seguir com Flávio Dino, ao contrário de hoje, quando é peça fundamental para a aliança de 2018.

Brandão sinaliza que pode deixar o PSDB, mas para onde ele iria? Qual partido lhe daria tanto poder de mobilidade quanto o PSDB? E quais deles, com exceção do PCdoB, dão 100% de garantias de que estarão no palanque do governador na sua campanha de reeleição no próximo ano?

Em tese, só restariam a ele PT, PDT, PCdoB, PSB, pois PP, PR, Solidariedade, PTB, DEM e outros que estão na classe média da política não dão, por conta do cenário nacional que está por vir, garantias de que podem se aliar aos comunistas em 2018, como ele tanto quer, e o mais dramático disto é onde chegar encontrar alguém no posto de comando, ou seja, ficar com quase nada a oferecer para ser tratado com importância .

Além destas questões, cabem as indagações: aceitaria se movimentar sob a batuta de aloprados dirigentes partidários como Márcio Jerry (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Bira do Pindaré (PSB) e Augusto Lobato (PT)? Seria um soldado obediente a esses "generais"?

Roberto Rocha volta por cima ao PSDB
A verdade é que só mesmo Brandão acreditava que seria possível manter este casamento do PSDB com PCdoB, principalmente depois dos últimos acontecimentos que colocaram o governador Flávio Dino na linha de frente da tropa que defende o retorno do condenado Lula à Presidência da República, enquanto seu partido busca um nome para impedir o petista de voltar, se a Justiça deixá-lo concorrer. No fanatismo lulista, Flávio Dino não poupa aliados de Brandão de críticas pesadas, tratando-os como traidores, arrogantes, fascistas, incompetentes e por aí vão os adjetivos para classificar lideranças tucanas, sem que ele, o vice-governador, reaja, caindo no campo da desconfiança do PSDB nacional.

Pior do que Roberto Rocha voltar é o modo como o senador está retornando, sem sequer uma consulta ao diretório estadual, prova de que Brandão está desgastado com os tucanos de grossa plumagem, por isto vai a Brasília antes de dar o próximo passo, e pode até contornar a situação, ou seja, ficar no PSDB, mas para se manter no comando terá de tomar a decisão que talvez mais o desagrade neste momento: romper com Flávio Dino, deixar levarem os anéis, preservando os dedos.

Até porque política é como casamento desfeito, basta um novo amor para o passado cair no esquecimento.Talvez Carlos Brandão queira passar por esta experiência.

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