11 de nov de 2017

Em evento no TSE, governador Flávio Dino faz criticas ao tratamento dispensado a ele pela TV Mirante em 2014

Ao participar, quinta-feira (09), em Brasília (DF), de uma audiência pública no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre o tempo destinado aos políticos (candidatos) na TV e no Rádio em períodos de campanha eleitoral, o governador Flávio Dino (PCdoB) exibiu parte de uma entrevista por ele concedida em 2014 à TV Mirante (Globo), emissora pertencente à Família Sarney, na qual o entrevistador, Sidney Pereira, por diversas vezes, puxou como argumento para suas indagações o fato dele, o governador, pertencer a um partido comunista, e assim procurou fazer uma relação com temas religiosos, já que a doutrina partidária e do ateísmo. Leia reportagem em Maranhão Hoje.

Flávio Dino concedendo entrevista a emissora de rádio onde não é criticado
Mencionado isto, o governador disse ter ficado com a ideia que não se tratava de uma entrevista a um veículo de comunicação, mas de um interrogatório ao DOI-CODI (referência ao aparelho policial do período da ditadura militar), pois quando seu adversário, Lobão Filho (PMDB), foi entrevistado as questões foram sobre saúde, educação etc. Diante disso, defendeu regras mais rígidas não apenas sobre o tempo de cada candidato, mas as ideias que são passadas sobre ele na programação normal das emissoras.

Flávio Dino não deixa de ter razão, mas esqueceu de mencionar que as coisas mudaram no Maranhão e que hoje vários veículos de comunicação estão aparelhados pelo Estado, fazendo exatamente o que ele condenou diante da douta platéia. Um exemplo disso foi o papel da Rádio (FM) e TV Difusora no período eleitoral de 2016, pois todos os dias eram levantadas críticas e acusações ao deputado Eduardo Braide (PMN) e era feita a defesa intransigente do prefeito Edivaldo Holanda (PDT), que disputava a reeleição, prática que se mantém na programação pós-eleição, com extensão de danos aos adversários do Palácio dos Leões. As emissoras hoje são arrendadas pelo deputado Weverton Rocha, do mesmo partido do prefeito e um aliado do governador.

Pior do que isso, pois trata-se, em tese, de emissoras privadas, é a linha editorial da Rádio Timbira, que na atual gestão deixou de ser uma rádio oficial do Estado para servir somente ao governo e, mais especificamente, a um partido, o PCdoB. Pelas ondas da emissora estatal, nenhum adversário do governo pode se manifestar e sobre eles a ninguém é concedido o direito de mencioná-los de forma positiva. Nem mesmo o presidente da República, senadores, ministros do Supremo, juízes etc são poupados de críticas se seus atos contrariarem o governo e o governador.

Se tivesse mostrado esses exemplos, talvez Sua Excelência pudesse enriquecer mais ainda o debate, mostrando que no Maranhão é assim: há sempre alguém praticando aquilo que já condenou no passado, ou seja, por mais que mude o estado está sempre carente de mudanças.

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