2 de nov de 2017

Flávio Dino opta pelo silêncio diante da denúncia de Roberto Rocha, mas seus auxiliares partem para agressão

Flávio Dino preferiu o silêncio diante da acusação de Rocha
Flavio Dino (PCdoB) optou pelo silêncio desde que foi atingido por um disparo verbal do senador Roberto Rocha (PSDB), que numa sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional que investiga a JBS, insinuou que ele teria recebido doação ilegal da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista na eleição de 2014.

Coube, porém, a auxiliares, aliados políticos e simpatizantes, dentre eles profissionais de imprensa, saírem em defesa do governador e na ânsia de agradar alguns chegaram a sair da linha e caíram num perigoso campo de deselegância e incitação da violência.

Em visita a Timon, questionado por uma radialista local sobre essa declaração do senador tucano, o governador calou, pois o momento não era apropriado para esse tipo de debate. Não era para ele, mas jornais, emissoras de rádio e televisão, sites, blogs e grupos nas redes sociais se encarregavam de propagar a reação dos seus simpatizantes.

Um dos auxiliares do governador chegou ao disparate de afirmar que, com essa declaração, Roberto Rocha deixou claro para que serve o Senado República: "para mentir". Ora, o Senado é uma casa legislativa, prevista na Constituição Federal, onde seus membros representam os interesses dos estados. Além de elaborarem, emendarem e aprovarem leis, os senadores têm várias outras atribuições e podem expressar suas opiniões sem risco de serem punidos por elas.

Roberto Rocha fez a acusação de suborno da JBS ao governador Flávio Dino
Se um senador faz uma acusação injusta isto não transforma o Senado num tribunal acusatório; se um senador falta com a verdade isto não transforma o Senado numa casa de mentiras; se um senador comete desvios de honestidade isto não transforma o Senado numa casa de desonestidade. Por mais que tenha seus defeitos, nunca devemos esquecer que aquela é a Casa de Rui Barbosa.

Se fosse uma casa com a definição dada a ela pelo auxiliar do Palácio dos Leões, é de ser perguntar: os pré-candidatos a senadores na chapa de Flávio Dino em 2018 são candidatos a mentirosos também?

Mais empolgado que o aloprado subalterno do governador foi o deputado Othelino Neto (PCdoB), que da tribuna da Assembleia Legislativa, de onde é vice-presidente, disse que o senador parecia em "transe" quando fez a revelação do suposto suborno da JBS, e o acusou de ter rompido com o governador porque este não permitiu fazer negociatas no governo. Que grave!

Othelino Neto diz que Roberto Rocha deve ser malhado como um judas
Na parte mais contundente do seu discurso, Othelino disse que o domingo da eleição do próximo ano vai ser um "sábado da Aleluia" para Roberto Rocha quando ele deverá ser "malhado" como um judas para aprender uma "boa lição". A pregação é figurativa, não se tem dúvida, mas ficou parecida com uma do ex-ministro José Dirceu num movimento grevista de professores em São Paulo, quando, ao saber de uma visita do então governador Mário Covas a uma das escolas ocupadas por grevista, disse que ele, o governador, teria de apanhar nas urnas e nas ruas. Um manifestante levou o conselho tão a sério que quando o governador chegou o atingiu na testa com um pedaço de madeira.

Isto mostra que quando ditas por quem tem língua de punhal, as palavras cortam como aço e podem ferir e mutilar alguém, ou muitos. Leia reportagem em Maranhão Hoje.

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