18 de mai de 2018

Calada, a ex-governadora Roseana Sarney faz muito mais barulho do que os seus adversários falando e gritando

Há poucos dias, indagado sobre o porquê da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), mesmo dizendo ter pretensões de voltar ao Palácio dos Leões em 2019, ter adotado a estratégia do recolhimento e do silêncio, um político muito próximo a ela e que diz vir participando das discussões sobre a sucessão estadual, respondeu de forma irônica: "Falar pra quê, se, calada, todos os dias ela é tema de debate na imprensa e nas redes sociais?".

De fato, não há um dia da semana em que, ao se abrir os jornais ou acessar blogs, sites e as redes sociais, ela não apareça como tema principal, como se a política do Maranhão ainda estivesse girando no seu entorno, uns contra e outros a favor. Se  for feita uma comparação com Flávio Dino (pré-candidato e não governador) é capaz de se constatar que ela é mais notícia do que ele, que ela cria mais fatos de boca fechada do que ele falando...

O que mais impressiona no noticiário sobre a ex-governadora é que ele não é baseado em declarações ou em aparições públicas dela, mas apenas em palpites, especulações, como se houvesse uma disputa entre jornalistas, blogueiros e palpiteiros das redes sociais para saber quem é mais especialista nos Sarney, quem tem mais poderes para entrar em suas mentes e descobrir o que estão pensando ou quem tem mais informantes sobre o que se passa no ambiente da família.

Basta ver: um dia, Roseana é notícia porque confirmou sua pré-candidatura; no outro, porque estaria desistindo de concorrer. Há também os que apostam que não se candidatará a nada, outros que  deixará de concorrer ao governo para disputar o Senado ou uma vaga na Câmara Federal e até na Assembleia Legislativa; e há ainda os que dizem estar incomodada com a companhia do irmão Sarney Filho e do senador Lobão em sua chapa, mas outros preferem dizer que ela se agarra aos dois para manter seu projeto de voltar a ser governadora. Não faltam os que dizem estar querendo distância do Palácio do Planalto (leia-se Michel Temer), assim como são muitos os que dizem estar manobrando no governo federal para ser favorecida na eleição. E por aí vão as especulações.

A última declaração da ex-governadora, em entrevista à Rádio Mirante (de propriedade de sua família), foi de ratificação de sua candidatura, quando pediu para deixarem de especular sobre sua vida, sobre o que está fazendo, com quem está conversando, com quantos rompeu, quanto aderiram ao seu projeto eleitoral, para onde viajou, de onde retornou etc. "Se quiserem saber da minha vida, me consultem", disse ela, embora se saiba que não é missão fácil chegar a ela.

O certo é que, mesmo havendo uma poderosa propaganda de que Roseana estaria acabada politicamente, parece que o fato de ainda estar viva incomoda, pois o natural seria deixar no esquecimento quem o povo já teria esquecido, porém a tática parece ser não deixar crescer quem já é grande demais.

Certo é que as análises sobre essa pré-candidata podem justificar os números das pesquisas, embora sejam elas mais confiáveis ao governo do que seus opositores, ou seja, se ela tem menos de 30% é por culpa de sua estratégia de reclusão e silêncio; se está próxima dos 30% é porque está se movimentando ou alguém está fazendo ela se movimentar, pelo menos na mídia.

Só Roseana para acabar com essas especulações, e quando isto ocorrer não se sabe quem vai festejar e quem vai lamentar, quem vai se sentir aliviado e quem vai se sentir ameaçado; quem vai derrotá-la e quem vai ser derrotado por ela. É esperar!

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