29 de mai de 2018

Maranhão ainda sofre sérios riscos de desabastecimento com a paralisação dos motoristas de caminhões

O Maranhão pode entrar em risco de desabastecimento, caso os motoristas de caminhões, ainda que a paralisação seja suspensa 100%, não consigam normalizar entregas de insumos, animais, produtos industrializados etc. Um dos setores mais preocupantes é o da agropecuária, com riscos de perdas na colheita de grãos, fornecimento de carne, frangos e leite, e até mesmo o setor automotivo pode ser comprometido.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura (Faema), Raimundo Coelho, produtores de soja e milho do Sul do Estado e da região de Chapadinha temem perder grande parte daquela que seria a maior colheita de grãos dos últimos anos. Na região de Balsas, diz ele, a safra está quase toda colhida e a preocupação agora é com o escoamento, pois com a retenção nas estradas e a armazenagem precária nas próprias fazendas, os grãos podem perder qualidade e os preços serem depreciados, mas há o risco de perda total. Já na região de Chapadinha, ainda faltam colher 50% da produção se não houver combustível para as máquinas colheitadeiras e caminhões para retirar o que já foi colhido haverá perdas enormes.

Ainda de acordo com Raimundo Coelho, o setor pecuário também é preocupante, pois os fazendeiros não têm como tirar o boi do pasto para levar até os frigoríficos e este têm dificuldades de levar a carne até os açougues e supermercados. Quanto ao leite, disse que boa parte da produção está se perdendo, pois não há como fazer o transporte e os animais devem ser ordenhados para preservação de sua saúde.

Ainda no segmento da agropecuária, o presidente da Associação dos Avicultores (Avima), José Augusto Monteiro, diz que as granjas estão ficando sem ração para alimentar os frangos e estes podem morrer com mais de três dias sem alimentação adequada. Segundo ele, o Maranhão produz 3,5 milhões de cabeças por mês, e boa parte desse plantel pode ir para o sacrifício.

Automóveis  - No segmento de automóveis, o empresário Manoel Dias, do Grupo Alvema, diz que as concessionárias trabalham com estoque para até 45 dias, portanto as vendas realizadas nas lojas podem ser atendidas sem problemas, contudo quem fez compra direta, pela internet, para receber na revenda autorizada, vai ter de esperar um pouco mais, porque já se passaram mais de sete dias de paralisação e as fábricas deixaram de produzir novos veículos porque seus pátios estão lotados.

Ainda de acordo com Manoel Dias, a parte mais preocupante é de assistência técnica porque nenhuma concessionária consegue manter 100% dos itens em estoque, isto é, sempre há pedidos para atender algum tipo de reparo, e as empresas não estão fazendo a entrega, o que pode significar mais tempo do carro na oficina.

Por outro lado, o presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas (Sindbebidas), Francisco da Rocha, informou que a partir desta terça-feira algumas vão parar as atividades, por falta de insumos e não terem como tirar a produção dos armazéns. Leia mais em MARANHÃO HOJE.

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