20 de mai de 2018

Márcio Jerry não resiste aos afagos de um Sarney, apesar de sua pregação raivosa contra os males da "oligarquia"

Fernando Sarney e Márcio Jerry abraçados como dois amigos
O Maranhão é hoje um estado com boa parte de sua população dividida por um ódio quase mortal entre simpatizantes do governador Flávio Dino (PCdoB) e da família Sarney. Uma desavença alimentada por aqueles, que, com a pretensão de se tornarem líderes e pelos cargos já exercidos, que ora exercem e que pretendem exercer, deveriam primar pela convivência civilizada entre os que pensam diferente, mas, ao contrário disso, todos os dias se encarregam de alargar o fosso que eles próprios criaram para separar quem se deixa iludir por esse tipo de pregação e os que teimam em não acreditar.

Contaminadas pelo veneno do ódio, muitas pessoas se embriagam de ideologias políticas e vão rompendo amizades, estremecendo relações familiares e passando a odiar até mesmo quem nunca viu, simplesmente por conhecer, pela imprensa, pela internet e pelas redes sociais ideias diferentes das suas, muitas das vezes nem mesmo sendo opinião de quem escreve, mas apenas relatos de fatos ocorridos ou narrados por terceiros.

Os fanatismo pela política, assim como os pelo futebol, esquecem que seus atores sabem se entender e viver, pelo menos publicamente, de forma educada. Quando se encontram passam para a sociedade a ideia de civilidade, sempre com o discurso de que divergência não é inimizade, esquecendo os danos que causam com suas palavras quando ditas ou escritas de forma raivosa, sempre procurando atrair adeptos para lhe ajudarem a destruir adversários.

Empresário Fernando Sarney ouve atentamente o discurso de Márcio
Jerry sob os olhares curiosos de Gastão Vieira e Weverton Rocha
Semana passada, o ex-secretário de Comunicação e Assuntos Políticos do Governo do Estado Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB e um dos mais ferozes combatentes da família Sarney nas mídias sociais e um dos mais fieis defensores do governador Flávio Dino, deu um exemplo de como deve ser a convivência na política.

Ao adentrar o plenário da Assembleia Legislativa, onde estava sendo velado o corpo do ex-governador Epitácio Cafeteira, avistou o engenheiro Fernando Sarney, dono da TV Mirante (que ele chama de TV Mentira), irmão de Roseana e filho de José Sarney, e dele não se desgrudou mais.

Márcio Jerry morto de felicidade enquanto Fernando Sarney discursa na
roda de amigos criada no velório de Epitácio Cafeteira
Conversaram - sabe-se lá o quê - como se fossem dois amigos de longas e até trocaram abraços. Duvida-se muito se Márcio Jerry teria o mesmo espírito civilizado para conversar com ex-colegas jornalistas que não seguem seu receituário, talvez nem mesmo um funcionário da Mirante merecesse tanto afago quanto seu dono, que ele diz manipular informações para prejudicar seu ídolo.

Enquanto isso, seguidores de Jerry, acreditando no seu discurso, continuam ofendendo aqueles que ele diz detestar (os mesmos que quando encontra se derrete todo) e desconstruindo currículos de quem sabe quanto é frágil sua argumentação de defensor dos pobres, de guardião da ética, de depositário maior das boas causas e maior combatente dos males de meio século da "oligarquia". É uma pena, mas, mesmo assim, avante!

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