7 de set de 2018

Institutos fazem propaganda enganosa com cenários de "votos válidos" nas pesquisas sobre intenções de votos


Numa flagrante tentativa de querer interferir no resultado das eleições deste ano, o que mereceria uma atenção mais cuidadosa do Ministério Público Eleitoral, alguns institutos de opinião pública passaram a divulgar um esquisito cenário de "votos válidos" quando vão apresentar os resultados de suas pesquisa sobre intenções de voto.

O objetivo é inflar a popularidade de um determinado candidato, e na eleição deste ano o mais beneficiado tem sido o governador Flávio Dino (PCdoB), que ainda lidera a preferência do eleitorado em todos os levantamentos realizados até aqui.

A esperteza está no fato de, ao fazer esses cálculos, os institutos desconsideram os indecisos e os que não quiseram revelar seu candidato, e passam a tratá-los como votos nulos. Ora, salvo melhor interpretação, esses votos ainda não foram anulados, pois poderão ser distribuídos, no dia da eleição, entre todos os candidatos, logo trata-se de um erro excluí-los da simulação. Vale ressaltar que até mesmo quem hoje diz votar num determinado candidato ou está tencionado a anular o voto ou votar em branco pode mudar de opinião, portanto este é o tipo de resultado que só pode ser aferido para urnas contadas, isto é, após apuração dos votos, quando conlui-se quanto cada concorrente obteve, no geral e somente nos votos válidos.

Na pesquisa do Instituto Interpreta divulgada nesta sexta-feira (07), por exemplo, 187 dos 1.500 entrevistados, ou seja, 12,5%, manifestaram indecisão ou não quiseram revelar em que votarão, porém o instituto os desconsiderou totalmente, e trouxe um cenário de "votos válidos" com Flávio Dino pontuando 60,2%, e é este o percentual que vai para as capas dos jornais e para a propaganda da coligação encabeçada pelo PCdoB.

Trata-se de uma clara tentativa de ingerência na opinião desses eleitores a fim de levá-los a se definirem por quem está mais próximo de ganhar.

Não se conhece no Brasil nenhuma pesquisa nesses moldes. Basta pegar todos os levantamentos de Poder360, Ibope, Instituto Paraná, Datafolha etc e verificar que isto não se aplica. Quando o candidato não ultrapassa a barreira dos 50%, são testados cenários de segundo turno, mas no Maranhão é diferente, e assim pesquisa de opinião passa a ser pesquisa de indução.

Como os concorrentes do governador não se sentem incomodados, tampouco o MPE enxerga falha, que se continue fazendo pesquisas assim, e aguardar o que dirão as urnas. Leia mais sobre a pesquisa do Interpreta em MARANHÃO HOJE.

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