15 de jan de 2019

"Nenhum banco tem interesse na folha de pagamento do estado", diz Flávio Dino ao justificar exclusividade ao BB

Ao participar, segunda-feira (14) à noite, no Convento das Mercês do Diálogos Capitais em que foi debatido o tema “Bancos Públicos sob Ataque: desafios, riscos e perspectivas” - leia reportagem em MARANHÃO HOJE -, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez uma revelação surpreendente. Segundo ele, o Banco do Brasil administra com exclusividade a folha de pagamento do funcionalismo e o recolhimento das taxas de serviços estaduais por atendimento de um apelo que fez para não ser obrigado a pagar os servidores com dinheiro em espécie em envelopes, pois nenhum banco tinha interesse em prestar esse tipo de serviço.

O argumento foi em resposta à indagação de uma bancária de Açailândia, que após reclamar da falta de agências bancárias em várias cidade do interior do estado, quis saber porque o governo não exigia do BB a ampliação da sua rede de atendimento a título de compensação por essa exclusividade.

Flávio Dino disse então que o poder de convencimento financeiro do Estado é tão pequeno que fez três rodadas de pregão eletrônico e nenhum banco, seja público ou privado, se interessou por estas operações e aí teve de apelar ao BB para que continuasse fazendo os pagamentos.

Na verdade, o Governo fez no final de 2017 dois pregões, mas não encontrou foi bancos dispostos a pagar a oferta mínima para ter a exclusividade dos serviços. Para guarda e gestão das disponibilidades de caixa do Estado, pagamento a credores e fornecedores, centralização da arrecadação das receitas estaduais etc a oferta inicial era de R$ 50 milhões. Já para pagamento da folha de salário dos servidores ativos, inativos e pensionistas o valor mínimo do lance era de R$ 215 milhões.

O Banco do Brasil, que já era detento dos serviços, foi mantido como exclusivo, e aí fica a pergunta: as taxas foram exigidas para que não houvesse risco de aparecer outro interessado?

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