13 de abr de 2019

Polêmica sobre um porto na Península da Ponta d´Areia mostra quanto é urgente definir Plano Diretor de São Luís

Resultado de imagem para península da ponta d'areia sao luisDetalhes sobre babá e baixadeiros à parte, o comentário do deputado Edilázio Júnior, extraído de uma conversa com moradores da Península da Ponta d´Areia para debater o projeto de um porto na área, mostra o quanto é urgente se definir as alterações no Plano Diretor de São Luís, em elaboração há mais de dez anos sem que até agora tenha sequer chegado à Câmara Municipal para apreciação dos vereadores. Enquanto isto não for feito, São Luís vai continuar padecendo dos improvisos de que tudo pode em qualquer lugar.

Não se trata de defender reserva de espaço nobre para os mais abastados, mas a Península, como assim foi denominado este pedaço da praia de Ponta d´Areia, está definida como área habitacional e de turismo pela Lei de Zoneamento e Ocupação do Solo Urbano, daí porque muitas empresas fizeram altos investimentos para construir moradias de valor mais elevado, apostando numa clientela que buscasse um lugar mais tranquilo para viver, assim como empresas projetaram hotéis, restaurantes e outros empreendimentos ligados a essas atividades.

É claro que a politização do discurso passa para a sociedade a impressão de que ali residem somente os que não comungam dos ideais de esquerda, porém sabe-se que o bairro é endereço de secretários de governo, deputados, senadores e outros políticos de todas as tendências, até mesmo comunistas, que muitos imaginam detestar mordomias, luxo, comida e bebida boa, mas sabe-se que alguns, até de linha extremada, têm mais de R$ 1 milhão em automóveis de luxo nas garagens dos prédios de alto padrão que ocupam. Nunca vão dizer isto para a sociedade, pois querem inverter a ordem da melancia, isto é, serem vermelhos por fora e verdes por dentro.

É claro que a criação de um porto naquela área provocará uma mudança completa no bairro, pois intensificará o transporte de passageiros e de cargas, incluindo nestas, animais vivos (porcos, galinhas, bodes etc), cereais etc, e tudo isto demandará, claro, ônibus, carrinhos, camionetas, caminhões e outros tipos de veículos, provavelmente até carroças, para atender a essas necessidades dos usuários, ou alguém imagina que só pessoas com, no máximo, mochila nas costas vai embarcar e desembarcar no local?

É feio este novo cenário? Depende do olhar de cada um, mas com certeza vai alterar o trânsito em vias que não foram projetadas para suportar movimentação desta monta e provocar uma outra modalidade de ocupação de áreas, seja por aquisição ou invasão, sem falar nas operações que vão tirar o sossego dos que ali residem.

Caberia a intromissão de órgãos de classe na discussão, mas dificilmente Sindicato de Construção Civil e Conselho de Arquitetura, que têm bons clientes nesses endereços, vão querer se meter na confusão. Melhor deixar só os políticos trocando farpas para decidirem quem é mais contra ou a favor de pobres ou de ricos.

Um outro ponto importante a ser levantado nesse debate é saber quem está mandando na cidade, se é o prefeito ou o governador, pois este, muitas das vezes, sem consulta ao executivo municipal, tem interferido no planejamento urbano das cidades fazendo as obras que imagina serem as mais urgentes e não firmando parcerias com as prefeituras para atender o prioritário, e assim praças foram destruídas e refeitas, portos foram transformados em local de visitação turística e outras coisas mais, como é o caso deste projeto, enquanto a parte que caberia ao Estado, como estradas, pontes, aeroportos, hospitais e outros, estão a desejar cuidados.

Se houvesse plano diretor e este fosse cumprido por quem é eleito para cuidar da cidade e não maltratado por quem tem delegação para gerir o estado como um todo, talvez esse debate fosse desnecessário, mas aqui é São Luís, capital do Maranhão.

Nenhum comentário: