15 de jun de 2019

Apesar de Flávio Dino dizer que não quer, bancada maranhense deve votar para aprovar a Nova Previdência

Apontado como um dos governadores mais críticos do governo federal e um dos mais resistentes a uma reforma da Previdência Social, embora saiba que algo urgente precisa ser feito até para não colocar as finanças públicas do Maranhão em risco, Flávio Dino (PCdoB) vive uma das situações mais confortáveis na conjuntura política nacional, pois pode continuar resistindo até o fim e sua posição em quase nada vai influenciar na decisão dos 18 deputados federais pelo Maranhão para aprovar ou reprovar a Nova Previdência, pois tudo indica que, querendo ou não Flávio Dino, a bancada maranhense vai votar em peso com o governo. Leia mais em MARANHÃO HOJE.

Se decidisse apoiar, quando tomasse a posição, ela já estará tomada pela grande maioria dos parlamentares, inclusive muitos dos que se elegeram por estarem em seu palanque, por conta de acordos nacionais das legendas a que pertencem, quase todas afinadas com o Planalto. Afinal de contas, dos 18 deputados que formam a bancada maranhense na Câmara, talvez cinco estejam realmente na oposição, mas Flávio Dino só exerce influência sobre dois, embora sempre se arvore de ter transferido prestígio para eleger 12. Já declaradamente de oposição, são seis, que não estão nem aí para o que pensa e o que diz o governador.

Suponhamos que Flávio Dino, numa guinada ideológica de 180º, decidisse apoiar a Nova Previdência. Quantos votos ele poderia garantir a Jair Bolsonaro? Apenas os de Márcio Jerry (PCdoB) e de Bira do Pindaré (PSB), pois nem mesmo sobre Zé Carlos (PT) exerce influência, já que este tem voo próprio e sua ligação é direta com a direção do partido, assim como Gil Cutrim (PDT), cujo partido é historicamente contra. É bem capaz de um Josimar do Maranhãozinho, que também tem dois do seu partido, garantir mais votos do que ele, pela influência que tem outras legendas.

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Josimar do Maranhãozinho com o presidente Jair Bolsonaro: 
bancada maranhense é mais afinada com o Palácio do Planalto 
do que com o dos Leões
Dariam mais atenção à orientação nacional dos seus partidos do que às ordens do Palácio dos Leões, mesmo sendo integrantes de uma mesma coligação em 2018, André Fufuca (PP), Cléber Verde (PRB), Josimar do Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Juscelino Filho (DEM), Marreca Filho (Patriota) e Pedro Lucas Fernandes (PTB). A dúvida seria Gastão Vieira (Pros), que, por ser suplente de um comunista (Rubens Pereira Júnior), talvez tivesse deferência pelo governador, e Gil Cutrim, que votará conforme orientação de Carlos Lupi ou de Ciro Gomes.

Já com Aluísio Mendes (Pode), Edilázio Júnior (PSD), Eduardo Braide (PMN), Hildo Rocha (MDB), João Marcelo (MDB) e Pastor Gildenemyr (PMN) o governador nem encontra abertura para conversar. Resumindo, Flávio Dino pode falar, falar, falar, criticar, criticar, criticar, protestar, protestar, protestar... sem medo, pois nada vai lhe acontecer. Só tem a lucrar com os eleitores, pois vende a imagem de rebeldia e independência.

Fazendo-se os cálculos, com base na tendência de cada legenda, dos 18 deputados, 13 já estariam inclinados a votar com o governo.

Quanto ao fato de necessitar de uma reforma da Previdência que inclua o Maranhão, sabe que, apesar do seu corajoso discurso, se depender da bancada maranhense, ela será feita, mesmo ele jurando que não quer aquilo que tanto precisa. É o jogo da política, onde tem mais chances de sucesso quem dissimular melhor.

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