4 de jul de 2019

Governo do Estado superestima movimentação turística em São Luís durante os festejos juninos e divulga um número de visitantes que supera 15% da população

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Governo confunde embarque e desembarque com número de pessoas e estima que
150 mil pessoas entraram em São Luís pelo Aeroporto Cunha Machado
Salvo melhor interpretação, as autoridades do setor de Turismo do Governo do Estado, em que pese o sucesso que foi a temporada junina de São Luís, estão superestimando, com endosso do Observatório do Turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e de alguns veículos de comunicação, a movimentação de turistas na capital maranhense em junho. 

Pelos números divulgados nesta quarta-feira (03), as secretarias de Turismo e de Cultural afirmam que, somente pelo Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado, entraram na cidade 150 mil turistas, dados atribuídos à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), embora esta ainda não tenha divulgado oficialmente a sua estatística.

Se esses números estiverem corretos, isto significa dizer que desembarcaram na capital maranhense o correspondente a 15% de sua população, que é de 1 milhão de habitantes, segundo o IBGE, mas isto pode ter sido ainda maior porque, conforme explicações do governo, não foram contabilizados os turistas que entraram pela via rodoviária (ônibus e veículos próprios), ferry boat e trem, ou seja, podem ter sido 200 mil ou 20% da população.

Imagina, leitor, o impacto que causaria em acomodação, alimentação, serviços de transportes etc, numa cidade cuja população aumentasse nesta proporção em apenas um mês. Imagine uma cidade como São Paulo com um aumento de 0,5% de seus habitantes em 30 dias, o que isto não causaria de transtornos, mas em São Luís um percentual bem maior não causou nenhum abalo, e olha que não é pouco, pois seria o mesmo que a população do município de Caxias (terra do nobre secretário de Turismo, Catulé Júnior), incluindo sede e zona rural, entrando na cidade para passar alguns dias.

No que algumas autoridades estão equivocadas e não há ninguém no governo que as alerte para esse erro é a confusão sobre movimento de passageiros com número de pessoas. Para que o leitor entenda, a Infraero contabilizou em São Luís, em junho do ano passado, um movimento de 129.779 passageiros, mas considerando os embarques e os desembarques. O desembarcados foram 65.775, enquanto os embarcados, 64.004, e isto não significa que são 100% de visitantes, pois um maranhense que foi a Fortaleza e voltou dois dias depois foi contado como dois, um que saiu e um que entrou.  E quantas pessoas, num mês, saem de São Luís para resolver um problema fora do estado por vários motivos e poucos dias depois retornam? E os que aproveitaram para passar temporada junina fora e depois retornaram?

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Festejos juninos fizeram aumentar em de 15% a população de São
Luís em um mês, segundo números do Governo do Estado
Outro exemplo: um time de futebol viaja com uma delegação de no mínimo 30 pessoas, logo quando o Sampaio vai a outro estado disputar uma partida pelo Campeonato Brasileiro ele gera em três dias um movimento de 60 passageiros (embarcados e desembarcados).

O governo também se perde com essa conta dos 150 mil turistas chegados somente pela via aérea no quesito acomodação. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), a rede de hotéis de São Luís dispõe de 8 mil leitos, e pela contas do governo 70% dessa capacidade foram ocupados, ou seja, 5,6 mil leitos, logo 144,4 mil visitantes tiveram de encontrar outros meios de hospedagem.

Não custa nada às autoridades refazerem seus cálculos até para que nos próximos eventos trabalhem com dados mais próximos da realidade, até porque a pesquisa que o Estado contratou aponta que 79% dos entrevistados tencionam retornar a São Luís na próxima temporada junina e corre-se o risco de que a soma com os que virão pela primeira pode ser de quase metade da população em um único mês.

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