27 de set. de 2019

Revelação de Rodrigo Janot expõe a fragilidade dos serviços de segurança na sede da Suprema Corte

O ex-procurador geral da República Rodrigo Janot, na entrevista bombástica à Veja, em que revela a arquitetação de um crime a ser praticado por ele dentro do Supremo Tribunal de Justiça (STF) e que teria como vítima o ministro Gilmar Mendes, mostra o quanto é falha a segurança num dos três poderes da República.

Valendo-se do trânsito por conta de sua autoridade, Janot entrou na sede da Corte Judiciária armado, aproximou-se do desafeto, tirou a arma do coldre sob a toga, mas como estava manuseando com a mão esquerda, sendo destro, não conseguiu pôr o dedo no gatilho de forma correta para praticar o crime e em seguida cometer suicídio.

O que chama atenção é que qualquer "cidadão comum" que for ao STF dar entrada num documento, visitar as instalações ou assistir a uma sessão dos doutos em Direito, passa por detectador de metal, o que não ocorre com as autoridades, mas o que se percebe é que algumas destas são mais vocacionadas para o crime do que a plebe.

Leia o depoimento de Rodrigo Janot sobre este caso:

"Naquele dia (11 de maio de 2017), cheguei ao meu limite. Fui armado para o Supremo. Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria. Estava movido pela ira. Não havia escrito carta de despedida, não conseguia pensar em mais nada. Também não disse a ninguém o que eu pretendia fazer. Esse ministro costuma chegar atrasado às sessões. Quando cheguei à antessala do plenário, para minha surpresa, ele já estava lá. Não pensei duas vezes. Tirei a minha pistola da cintura, engatilhei, mantive-a encostada à perna e fui para cima dele. Mas algo estranho aconteceu. Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento, eu estava a menos de 2 metros dele. Não erro um tiro nessa distância. Pensei: ‘Isso é um sinal’. Acho que ele nem percebeu que esteve perto da morte. Depois disso, chamei meu secretário executivo, disse que não estava passando bem e fui embora. Não sei o que aconteceria se tivesse matado esse porta-­voz da iniquidade. Apenas sei que, na sequência, me mataria”.

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