12 de dez. de 2019

Bumba meu boi não é tratado como "pedra de responsa" na capital do Patrimônio Cultural da Humanidade

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Bumba meu boi agora é patrimônio cultural da humanidade
O turista sensibilizado com as reportagens divulgadas esta semana a nível nacional e internacional sobre o reconhecimento pela Unesco do Bumba meu boi do Maranhão como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade que se aventurar numa viagem ao Maranhão para conhecer detalhes dessa manifestação folclórica corre o risco de retornar enormemente frustrado e com a sensação de que esse "complexo cultural", na verdade, pouco representa para a população e, especialmente, para as autoridades daqui, pois não encontrará um local onde possa ver modelos de fantasia, espécie de instrumentos, tipos de couros que cobrem os "novilhos", folheteria, discografia etc, ou seja, não há um prédio, uma sala, um corredor, uma despensa que possa ser chamado de museu para se juntar essas coisas e mostrar sua diversidade e beleza.

Ao contrário disso, se o turista tiver interesse de ir à fundo num dos ritmos musicais mais conhecidos do Caribe, o Reggae, pode ir à Praia Grande, no Centro Histórico, que ali encontrará um bem montado, pelo Governo do Estado, museu e de lá sair sabendo quem são os artistas mais importantes, quais os que mais influenciaram e ainda influenciam o ritmo, como chegou ao Maranhão, como se dança, como se veste a caráter um bom regueiro, isto é, tudo que diz respeito a essas "pedras de responsa", como são chamadas no meio, as músicas, há de fartura. Já para o Bumba meu boi, "farta tudo".

Um governo minimamente comprometido com a cultura do seu povo já teria direcionado algum investimento para que seu maior patrimônio, que é agora é de todos no Planeta, fosse valorizado pelos habitantes desse estado e admirado por quem o visita. Algum vencedor do Trofeu Parceiro do Turismo, distribuído aos montes semana passada, já deveria ter pensado nisso há muito tempo. Mas pensar para quê se não há vontade de executar?

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Museu do Reggae em São Luís: seria tão bom se houvesse um também
 para valorização do patrimônio cultural da humanidade
Quem conhece minimamente São Luís sabe que um investimento para se criar o Museu do Bumba Meu Boi não seria tão assombroso em termos financeiros quanto uma decoração de Praia Grande ou arraial junino contratada na Paraíba, pois os espaços já existem e basta apenas ocupá-los.

Se as doutas autoridades nomeadas para cuidar da Cultura e do Turismo nunca enxergaram, eis as sugestões: Casa do Maranhão (Praia Grande), Ceprama (Desterro) e Parque Folclórico da Vila Palmeira.

Nestes endereços há espaço de sobra para se montar exposições de personagens da dança:  cazumbás, índios, vaqueiros e outros; instrumentos: pandeirões, matracas, maracás...; painés de fotos com os grandes nomes do folclore: Coxinho, João Chiador, Humberto de Maracanã, João Câncio...; além de um ambiente de sonorização para tocar toadas, e por aí iria.

Parece tão fácil, não é mesmo? Só que ninguém imagina o quanto isto é desafiador para o governador, o prefeito, secretários e outras excelências.

Esta, infelizmente, é a realidade, mas quem sabe, sendo agora do Mundo, não surja em breve em  qualquer parte do Planeta, por menor que seja, um espaço dedicado à cultura genuinamente maranhense, que só é possível ver na sua temporada, em junho. Avante, Maranhão!

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