3 de jan. de 2020

Antes de Flávio Dino, José Sarney, Gardênia Gonçalves, José Antônio Almeida e Sônia Guajajara foram vices

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Gardênia foi candidata a vice-presidente na chapa de Espiridão Amin, em 1994
A gabolice do maranhense, pela qual é capaz de transformar coisas diminutas desta província em obras gigantescas mundiais, não poderia escapar aos políticos e aos analistas. São exemplos disto as menções feitas neste dois últimos dias sobre as especulações de jornalistas e blogueiros de fama nacional - sabe-se lá com quais intenções - sobre a possibilidade de o governador Flávio Dino (PCdoB) vir a ser convidado para compor, na condição de vice, a chapa de Luciano Huck, do ex-presidente Lula ou de Fernando Haddad na disputa presidencial de 2022.

As menções foram suficiente para aliados, admiradores e interesseiros que transitam pelo Palácio dos Leões venderem a ideia de que trata-se de um fenômeno político como o Maranhão nunca havia assistido antes, ou seja, o seu governador ser especulado para vice é uma prova de que o estado hoje tem prestígio e do qual os maranhenses devem se orgulhar.

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Não se deve desmerecer o cargo oferecido, como fazia um personagem de Jô Soares no extinto programa humorístico Planeta dos Homens, em que ao recusar um convite para ser vice de alguém, saia-se com argumentos como estes: "mostra uma cidade com o nome Vice-Presidente Fulano de Tal, uma praça, uma avenida, uma rua, um beco, uma calçada... Vice não!"

De vice de Tancredo, José Sarney chegou à Presidência
Não se pode desconhecer também que, ao ser "paquerado" por políticos de tendências diferentes, Flávio Dino mostra que tem prestígio em um segmento da política nacional, mas outros governadores também estão na mira para entrarem na disputa, como cabeças de chapa. Wilson Witzel (Rio de Janeiro), João Doria (São Paulo) e Rui Costa (Bahia) são alguns exemplos.

E, por favor, sem essa de que pela primeira vez um político do Maranhão mostra força para ser sondado a vice de alguém.

Aos que não não sabem, não recordam ou não querem que as outras pessoas se informem, eis aqui alguns exemplos:

  • Na República Velha, Urbano Santos foi vice de Venceslau Brás (1914) e de Artur Bernardes (1922).
  • Em 1984, Tancredo Neves, ao se consolidar como candidato a presidente da República (pela via indireta), escolheu para vice, o senador maranhense José Sarney (então PDS) e o fim da história, todos sabem: Tancredo morreu antes da posse e Sarney foi presidente por cinco anos (1985-1990)
  • Em 1994, Espiridião Amim, ex-governador de Santa Catarina e hoje senador da República pelo mesmo estado, disputou a Presidência da República e levou para vice a ex-prefeita de São Luís Gardênia Ribeiro Gonçalves.
  • Em 2002, atendendo a um apelo do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, o então deputado federal José Antônio Almeida e Silva trocou uma reeleição certa pela candidatura de vice-presidente na chapa de Anthony Garotinho.
  • Na eleição de 2018, a líder indigenista maranhense Sônia Guajajara foi vice na chapa de Guilherme Boulos, do PSOL.
Ou seja, rendam-se as homenagem que forem devidas ao governador, pois ele merece, mas não esqueçam quem chegou lá primeiro, e também por seus méritos. Avante!

2 comentários:

Unknown disse...

Ainda tem o caso de Urbano Santos duas vezes eleito vice presidente do Brasil, no início da República.

Sebastiao UCHOA disse...

Sintetizou bem na introdução da matéria : mera "gabolice"...