10 de jan. de 2020

Ministro que liberou sátira a Jesus Cristo é o mesmo que censurou a reportagem "o amigo do amigo do meu pai"

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O ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, que revogou a decisão do desembargador Benedicto Abicair, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para que o filme A Primeira Tentação de Cristo, do grupo Porta dos Fundos, voltasse a ser exibido pela Netflix, é o mesmo que defendeu, em abril do ano passado, a censura à revista Crusoé por publicar uma reportagem que mostrava uma suposta ligação dele e o ex-presidente Lula com o Grupo Odebrecht.

Para suspender a censura ao filme que retrata Jesus Cristo como homossexual, após passar 40 dias jejuando no deserto, o ministro escreveu uma belíssima frase em favor da liberdade de expressão. Diz ele:

“Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros”.


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Para impedir a circulação de Crusoé, cuja reportagem foi produzida com base num documento que consta nos autos da Polícia Federal sobre os crimes de corrupção da Odebrecht, no qual o empresário Marcelo revela que Toffoli seria "o amigo do amigo do meu pai", que neste caso teria o ex-presidente Lula como o amigo do pai. 

Tudo parece verdade, mas o ministro não quis saber e justificou a censura: 

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"Se você publica uma matéria chamando alguém de criminoso, acusando alguém de ter participado de um esquema, e isso é uma inverdade, tem que ser tirado do ar. Ponto. Simples assim".

Porta dos Fundos desviou uma das narrativas mais emblemáticas do Cristianismo para fazer o seu "humor" de mau gosto, numa informação sem comprovação de verdade, mas isto desta vez não importou tanto ao ministro quanto foi perturbadora a reportagem de Crusoé. 

Aliás, sobre a censura da revista, ele disse que "é necessário mostrar autoridade e limites", mas isto somente quando a autoridade manchada não envolver um ser, que segundo os cristãos, é divino, mas um ocupante de função pública no Brasil.

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