17 de abr. de 2020

Drauzio Varella diz que o carnaval ajudou a disseminar o covid-19 no Brasil, e os governantes sabiam dos riscos

SECMAGovernadores e prefeitos que hoje buscam alguém para responsabilizar pelas mortes causadas pela pandemia de covid-19 ainda não tiveram a humildade de vir a público pedir desculpas por terem aberto as portas de seus estados e cidades para circulação de pessoas de todas as partes do mundo, mesmo sabendo que bem antes de fevereiro o vírus já se espalhava por muitos países, principalmente da Europa, de onde partiram os turistas que vieram se deliciar da mais importante festa popular brasileira, o carnaval.

Em vez de estarem comprando respiradores para equipar seus hospitais, abrir novos leitos, adquirir máscaras e luvas para proteger médicos e enfermeiros, os governantes estavam preocupados apenas na contratação de cantores e bandas com altos cachês, distribuição de dinheiros para blocos de artistas amigos etc, e menos de uma semana depois da farra estavam correndo para barrar o que já estava entre nós. Alguns sabiam dos riscos, tanto que nem desceram de seus palácios para se misturarem com o povos como nos anos anteriores.

Pois bem, nesta quinta-feira (16), o médico Drauzio Varella, (foto) que em janeiro, que o coronavirus, entrando no Brasil não passaria de uma gripezinha (olha o inspirador de Jair Bolsonaro aí, gente!), afirmou, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, que a realização de grandes eventos no começo deste ano no Brasil, especialmente o Carnaval, contribuiu para a disseminação da doença pelo país. O médico admitiu que até ele mesmo subestimou a gravidade da situação por falta de informações vindas da China.
“Nós fomos muito benevolentes com essa doença, fomos otimistas demais. Eu mesmo me penitencio por isso”, afirmou Drauzio, que comparou a situação do Brasil com a da Espanha.

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“A Espanha está do lado da Itália [epicentro do coronavírus na Europa] e, quando a Itália decretou o isolamento para a população, os espanhóis fizeram aquela Marcha Para as Mulheres, com 200 mil mulheres no centro de Madri. Como admitiram aquilo? Como nós fizemos o Carnaval?”, questionou.

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