24 de mai. de 2020

Até os eruditos caem na tentação de usar palavrões: advogado Saulo Ramos chamou o ministro do Supremo Celso de Mello de "juiz de merda"

O médico, advogado e jornalista João Bentivi, em sua página no Facebook, rememora uma passagem importante do livro O Código da Vida, de Saulo Ramos, que foi advogado do ex-presidente José Sarney, envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, que semana passada causou uma celeuma danada ao quebrar o sigilo de um vídeo sobre a reunião ministerial do dia 22 de abril em que o presidente Jair Bolsonaro teria manifestado interesse de intervir na Polícia Federal.

Pois bem, o conteúdo do vídeo choca porque muita gente se sentiu ofendida pelos palavrões pronunciados por autoridades, que deveriam ser polidas. Pois bem, neste episódio narrado por Saulo Ramos percebe-se que ele também caiu na tentação de usar palavras chulas quando se sentiu obrigado a a questionar a conduta de um membro da Suprema Corte do chamou de "juiz de merda", tal como Bolsonaro classificou o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito de Manaus(AM), Arthur Virgílio Neto, de "bosta", e Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, de "estrume".

Eis o resumo do caso:

José Sarney candidatou-se a senador pelo estado do Amapá, em 1986, após o PMDB negar a ele legenda no Maranhão, e o caso foi parar no Supremo, pois Sarney jamais residira, votara ou militara politicamente no seu novo domicílio eleitoral; apenas vislumbrou a chance de uma eleição mais fácil, após a Presidência da República, e seus adversários pediram a impugnação da candidatura.

No julgamento no Supremo, Celso de Mello, que fora indicado por Sarney, votou pela impugnação. Em seguida, mais que depressa, telefonou a Saulo Ramos para explicar sua posição, o que se deu segundo o diálogo descrito no livro:

— Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do presidente.

— Claro! O que deu em você?

— É que a Folha de S.Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S.Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do presidente

— Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S.Paulo noticiou que você votaria a favor?

— Sim.

— E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele

— Exatamente. O senhor entendeu?

— Entendi. Entendi que você é um juiz de merda.

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