25 de mai. de 2020

Por que quem tem três membros da família pode e quem emprega até duas pessoas não pode abrir seu comércio?

PONTO DE VISTA

Após dois meses impedidos de abrir as portas dos seus estabelecimentos para atender exigências do poder público com sua política de contenção do coronavírus, algumas pequenas empresas estão podendo se reencontrar com a clientela a partir desta segunda-feira (25), mas somente aqueles negócios que têm a família envolvida na atividade poderão funcionar, o que, convenhamos, é uma visão equivocada do Governo do Estado, por estabelecer uma concorrência desleal com quem não tem cônjuge, filhos, mas paga salário a um ou dois auxiliares.

Peguemos um exemplo: João é casado com Raimunda, com que tem uma Francisca uma filha. Ele é dono de uma pequeno bazar e elas trabalham com ele, portanto, está autorizado a abrir, mas a proprietária da empresa ao lado, Maria José, que é solteira e não tem filhos, não pode porque quem a auxilia são dois empregados que paga e garante todos os direitos trabalhistas, e assim vai ter que continuar esperando os debates realizadas nas secretarias de Indústria e Comércio, Direito Humanos e Casa Civil para saber quando vai chegar a sua vez de ter permissão para também fazer a roda girar e cessar a falta de dinheiro no caixa.

É uma coisa difícil de entender, pois, afinal de contas, o governo criou um Conselho Empresarial justamente para debater assuntos ligados à iniciativa privada, e não se admite que ninguém atente para uma situação como esta.

Pensando bem, o que o governador Flávio Dino fez foi autorizar o que já estava insubordinadamente autorizado em diversas partes da cidade, pois até mesmo durante o lockdown, pequenos comerciantes que precisam abrir sua loja todos os dias para apurar a feira da manhã seguinte, pagaram para ver o risco de se defrontar com o coronavírus, pois estavam funcionando, pouco ligando se sua atividade é essencial ou não, até porque estavam entre dois riscos: contaminação ou falência,.

Com todo respeito aos que seguem as recomendações da ciência e optaram por um modelo de enfrentamento da pandemia, para muitas pessoas, diferentemente de um promotor de Justiça, de um defensor público, de um juiz ou desembargador, de um técnico concursado (portanto estabilidade), de um vereador, deputado ou senador e outros donos de contracheque gordo, que chova ou faça sol o dinheiro cai na conta, "ficar em casa" não a melhor alternativa, apesar do risco.

Na próxima semana, o governador promete flexibilizar a economia para outros segmentos. Vamos torcer para que Maria José também seja autorizada a abrir sua loja e seus empregados não precisem ir para a fila do seguro desemprego. Talvez junto com ela, outros gigantes também já estejam com permissão de abrir. Seja como for, melhor assim.

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