9 de ago. de 2020

Gestão da Saúde nos estados e municípios talvez ajudaria a explicar por que 100 mil mortes por covid-19 no Brasil

 
Nos últimos tempos, sempre que o Jornal Nacional divulga alguma coisa, os simpatizantes da "esquerda" se encarregam de replicar a notícia. Fazem isto com o mesmo gosto dos simpatizantes de direita, na época em que a Lava Jato estava no auge e o ex-presidente Lula era um dos principais personagens. 

Não poderia ser diferente, portanto, com a edição deste sábado (08), dia em que, geralmente, os apresentadores não são os titulares, mas que a dupla William Bonner e Renata Vasconcelos fez questão de estar na bancada só para anunciar, com uma espantosa satisfação nos rostos, as mais de 100 mil mortes por covid-19 e analisar os motivos que levaram o Brasil chegar a essa marca.

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Comentários duros e até justificáveis, contudo incompletos, já que as críticas ao governantes passaram ao largo de outra crise, fora da política: a roubalheira em secretarias estaduais e municipais de Saúde do dinheiro que seria para salvar vidas, mas está enchendo os cofres de políticos. Quantas vidas teriam sido evitadas se as compras de equipamentos e medicamentos, bem como montagem de hospitais de campanha tivessem sido dentro da decência que se espera de um bom gestor público? Claro que o Jornal Nacional não iria querer despertar essa curiosidade nos brasileiros.

Outra questão, esta apenas repetida, foi dita com muita ênfase: o Ministério da Saúde está há 12 semanas sem um titular, e no lugar de dois médicos afastados do cargo "por discordarem do presidente da República" está um general. O Jornal Nacional bem que deveria estender essa crítica destacando que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) é presidido por um advogado e não por um médico. Trata-se de Carlos Lula, que assumiu a Secretaria da Saúde no Maranhão em 2016 no lugar de um médico, Marcos Pacheco, não se sabe por quê. 

Carlos Lula assumiu o Conass porque o titular, Alberto Beltrane, ex-secretário de Saúde do Pará, sentiu-se moralmente impedido de continuar na função, já que foi flagrado num dos maiores esquemas no Brasil de desvio de dinheiro para enfrentar o covid-19. Uma ligeira abordagem sobre essa deficiência na gestão da Saúde talvez ajudasse os brasileiros a entender por que o Brasil chegou a esse número de mortes, porém...


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