16 de nov. de 2020

O inútil debate pós-eleitoral que jornalistas e cientistas políticos repetem sobre avanço da direita ou esquerda

De dois em dois anos, sempre que há eleição para presidente, governador, deputados e senadores ou para prefeitos e vereadores, as emissoras de rádio e TV promovem os debates mais inúteis da vida nacional. Jornalistas e cientistas políticos, além de outros convidados, passam horas e horas analisando o resultado das urnas e projetando cenários a partir deles, indicando se o país vai descambar para esquerda ou para a direita, quem se fortaleceu, quem se enfraqueceu e por aí afora.

A inutilidade se dá porque leva-se em conta o perfil ideológico das legendas, como se seus membros realmente seguissem estatuto e programas eleitorais, bem como dos eleitos, como se estivessem nesta ou naquela agremiação realmente por acreditarem nos seus objetivos, e não por conveniências, acordos, projetos pessoais etc, tanto que tudo isto que foi desenhado numa eleição se desfaz na seguinte, e assim a cada eleição direita e esquerda se alternam como vitoriosas e os atores são praticamente os mesmos.

Peguemos o exemplo da eleição de São Luís. Se tivesse prevalecido o entendimento do final de 2019, para que os partidos apoiadores do governador Flávio Dino fechassem, para sucessor de Edivaldo Holanda Júnior, o candidato que em fevereiro deste ano estivesse melhor pontuado nas pesquisas de opinião pública, o segundo turno desta eleição seria entre um candidato de esquerda e um de linha mais conservadora, mas será entre postulantes de partidos de linha mais à direita, e com os mesmos atores se tivesse prevalecido o acordo do ano passado.

O que deu errado? O pacto se desfez quando percebeu-se que o escolhido teria de ser o deputado estadual Duarte Júnior, pois, desde então já pontuava como aquele que poderia incomodar mais o líder das intenções de voto, Eduardo Braide. Eleito deputado estadual pelo PCdoB, Duarte, porém, não era simpático a dirigentes das demais legendas dinistas, e a ele não restou outra opção senão procurar abrigo em outra legenda, e quem lhe abriu as portas foi o Republicanos, do deputado federal Cleber Verde e do vice-governador Carlos Brandão, mas a nível nacional uma das legendas mais próximas do presidente Jair Bolsonaro, tanto que seu filho mais encrencado com a Justiça neste momento, o senador Flávio, é uma de suas maiores lideranças.

Duarte Júnior, admirador e seguidor do governador Flávio Dino, que ajudou a engrossar o bloco dos esquerdistas eleitos em 2018 no Maranhão, sem nenhuma revisão pública (muito menos interna) dos seus ideais, vai disputar o segundo turno por um partido de direita, o que já lhe valeu bombardeios de quem ainda pode se apresentar como de esquerda, rotulando-o de bolsonarista, direitista, e tudo o mais que se aplica a quem neste país não é "lulista".

Suponhamos que ele ganhe a eleição. O que dirão os cientistas e jornalistas especialistas em política? Que um aliado de Bolsonaro ganhou na terra do seu maior crítico, Flávio Dino? E por quanto tempo ele permanecerá no Republicanos? E se daqui a quatro anos estiver de volta ao PCdoB e se reeleger por esta legenda, seria um vitorioso da esquerda?

É essa a inutilidade do debate, pois nada é para ser levado a sério quando no Brasil o tema da discussão é política. Infelizmente por vários dias, as discussões vão continuar, e na primeira semana de dezembro, também, pois ainda falta saber se direita ou esquerda ve3ncerá o segundo turno. Quanto bobagem!


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