21 de nov. de 2020

Assassinato em Porto Alegre exige um novo debate, além do racismo: o trabalho de policiciais para empresas privadas

A morte de João Alberto Silveira Freitas, ocorrida quinta-feira (19), em uma loja do Carrefour em Porto Alegre (RS), é repugnante pela forma covarde como ocorreu e por se constituir em mais um crime com características de racismo. Há, porém, uma questão a ser debatida também: a participação de polícias militares num momento em estavam de folga para repor energias pelos desgastes físicos e mentais após cumprimento de uma jornada de trabalho.

Não foi a primeira vez e certamente nem será a última, pois virou negócio emprestar mão de obra capacitada e sustentada pelo poder público a empresas privadas. Recentemente, houve um caso num shopping center de São Paulo, e em 2018 três jovens negros foram mortos por policiais militares que faziam segurança num canteiro de obras na zona rural de São Luís. Como, no Maranhão,  "vidas negras não importam", o caso caiu no esquecimento sem questionamentos do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, da OAB, partidos de esquerda etc.

O ex-comandante do 24° BIS Augusto Peregrino, numa conversa com este repórter, relatou que dos cerca de 800 homens que dispunha no quartel do Exército Brasileiro, pelo menos 600 estavam disponíveis todos os dias, enquanto na Polícia Militar, de um efetivo de 9 mil, enquanto menos de 3 mil trabalham, mais de 6 mil folgam, ou seja, todos os dias 1/3 ganha prêmio de 48 horas de folga.

Sobre o mesmo assunto, um deputado, que pediu reserva se um dia seu comentário fosse narrado, disse que soldados da PM estão trabalhando  todos os dias em lojas de supermercados, boates, restaurantes, universidades etc na capital e no interior do estado, uma mão de obra da melhor qualidade, selecionada, qualificada e remunerada pelo Estado para servir à população.

A questão que surge é a seguinte: policiais carecem realmente de dois dias de folga? Se sim, por que ocupam boa parte desse tempo em outras atividades desgastantes? É justo o Estado bancar isto? O que fazem os oficiais para inibir esse desvio de conduta? 

Está posto um novo debate.

Um comentário:

Unknown disse...

Eu não vejo problema no policial fazer Bico !!
Eu vejo PROBLEMAS Serissimos é na falta de Investimentos Constantes e Valorização no Profissional de Polícia.
Avaliações Psicologica, Comportamenral, de Relaçóes Humanas, Tatico Operacipnal, etc.
O Policial, não é u'a Maquina, é um Ser Humano que geralmente opera em ambientes hostís e precisa constantemente SER AVALIADO,TRATADO, REESTRUTURADO, REINTEGRADO OU APOSENTADO!!