30 de nov. de 2020

Flávio Dino acreditava que bastava um pedido seu para o povo de São Luís eleger o prefeito de sua preferência

Flávio Dino votando neste domingo, trajado de esquerdista
Por volta de agosto, às vésperas de começar a campanha eleitoral, um dos articulista da imprensa local simpáticos a Flávio Dino (PCdoB), com base numa pesquisa do Ibope, que dava uma aprovação acima de 60% ao governador do Maranhão, afirmou em uma de suas crônicas aquilo que retratava fidedignamente o sentimento que havia no Palácio dos Leões: bastava um pedido seu para se eleger o novo prefeito da capital. 

Era isso mesmo, leitor, qualquer pessoa poderia se tornar gestor da maior cidade maranhense, desde que dissesse que era o candidato do governador e este fizesse uma recomendação discreta de voto.

Acreditando nisso e querendo evitar desgastes com seus aliados, Flávio permitiu que seis candidatos se lançassem e proclamassem aos quatro cantos da Ilha que tinham seus apoio e um deles venceria, se não no primeiro turno, no segundo. Dizem que chegou até a sonhar numa segunda rodada entre dois candidatos do seu "consórcio", sem precisar levantar de seu trono no Palácio dos Leões, apenas autorizando o uso do seu nome e imagens suas.

Com base nessa mesma pesquisa que inspirou o nobre colunista, o governador achava que bastava rotular um adversário de "bolsonarista" para este ser derrotado, pois, afinal de contas, segundo o instituto que fez o levantamento, São Luís perde apenas para Salvador (BA) em número de pessoas que rejeitam o presidente da República. E foi assim tentou eliminar aquele que mais ameaçava seu projeto de eleger um prefeito fiel, Eduardo Braide.

Filiado ao Podemos, partido inclinado a apoiar um projeto de tornar o ex-juiz e ex-ministro Sergio Mouro presidente, Braide, do nada, passou a ser demonizado, porém sempre crescendo na simpatia do eleitorado.

Flávio Dino e Duarte Júnior, no banco da praça: estratégia errada
Por outro lado, seis candidatos - Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moisés (PROS) e Carlos Madeira (Solidariedade) - caíram em campo levantando a bandeira do "dinismo". Até o ex-presidente Lula foi chamado para reforçar essa empreitada, contudo já na reta final começaram a se canibalizar (exceto Madeira, que caiu no meio do caminho, abatido pela covid-19), com a multiplicação feita por comunistas e petistas de "bolsonaristas", colocando nesse balaio, Duarte e Neto, tudo no desespero de favorecer Rubens.

Findo o primeiro turno, sobraram, então, dois "bolsonaristas", Braide e Duarte, porém, de uma hora para outra, o segundo deixou de ser do conjunto dos aliados do presidente e se tornou de esquerda, aquele que iria bater o "bolsonarismo" na capital do Maranhão. Mais disposto a provar que um pedido seu seria irrecusável, o governador aceitou sair de sua poltrona e foi para o banco da praça pedir votos para Duarte, que lá no início foi expulso do seu partido pela "ousadia" de querer ser seu candidato.

Estava tudo bem desenhado, mas o povo em sua soberana sabedoria havia pintado o seu próprio quadro e neste domingo expôs na parede: Eduardo Braide prefeito!


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