11 de jan. de 2021

Exaltação de Ricardo Noblat e Ruy Castro ao suicídio contraria o Setembro Amarelo e Ministério Público nem aí

Este não é um artigo com tentativa de defender o presidente da República, até porque ele tem gente demais para se ocupar disso, mas um lamento pela conduta de dois jornalistas que estão entre os maiores formadores de opinião da imprensa nacional, Ruy Castro e Ricardo Noblat, que neste domingo (10) escreveram uma das páginas mais horrorosas do Jornalismo Brasileiro ao fazerem apologia ao suicídio. O primeiro sugeriu, em artigo na Folha de São Paulo, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deveria tomar a iniciativa de abreviar sua própria vida; e o segundo, ao repercutir a opinião do colega, pediu que Jair Bolsonaro o imitasse e também fizesse o mesmo.

O lamento não é apenas pelo fato de terem pedido que dois chefes de estados americanos se matem, mas também, e principalmente, porque jogaram na lata do lixo todos os esforços de governos federal, estaduais e municipais, com endosso do Ministério Público (Federal e estaduais), fizeram ao longo da campanha Setembro Amarelo com vistas a inibir a tentação de alguém querer recorrer a este ato extremo sempre que considerar em vão continuar lutando por seu objetivos, sentir que sua felicidade arruinou, continuar existindo não vale a pena etc, pois como diz o slogan da campanha, "toda vida importa".

Castro e Noblat, porém, numa clara demonstração de desprezo com aqueles de quem discordam, entenderam de passar para a sociedade a ideia de que o suicídio, tal como era comum no Japão dos samurais, é um ato de heroísmo, e ainda desdenharam de um dos mais vultos da política nacional, ao afirmarem que foi assim que Getúlio Vargas, criador da CLT, do voto para as mulheres e de tantas outras coisas das quais os brasileiros se orgulham, entrou para a História, ou seja, se não tivesse dado um tiro no peito não seria ninguém.

Noblat, ao fazer, como ele justificou, uma clipagem dos principais fatos da imprensa, tascou em sua conta no Twitter com link para o artigo de Castro, o seguinte comentário: "Se Trump optar pelo suicídio, Bolsonaro deveria imitá-lo. Mas para que esperar a derrota na eleição? Por que não fazer isso hoje, já, agora, neste momento? Para o bem do Brasil, nenhum minuto sem Bolsonaro será cedo demais", isto é, ao contrário da campanha do Setembro Amarelo, esta vida não importa.

Infelizmente algumas vozes que se dizem progressistas, como o ex-prefeito de São Paulo, professor universitário, ex-ministro da Educação e presidenciável na eleição de 2018 Fernando Haddad, e a jornalista Mariliz Pereeira Jorge, só parta ficar com estes dois, endossam opiniões desse tipo. Haddad chegou a comparar essas pregações de violência com o não uso de máscara contra Covid-19 e a jornalista, assim comentou as reações aos dois amigos de profissão:

"Entendi o que o Ruy Castro quis dizer... líderes como Trump e Bolsonaro só se salvam na história e se toram heróis dessa forma, assim como Getúlio. Foi pesado? Pra quem não leu, tem problema de interpretação ou se ofende só de ler a palavra suicídio", disse, lamentando que haja quem se ofenda com a palavra suicídio.

É um pena que os membros do Ministério Público, até pelas posições ideológicas da maioria, não entrem neste debate para, pelo menos defenderem, sua causa, e por nada fazerem correm o risco de perder credenciais para no próximo mês de setembro dizerem que a cor amarela significa alguma coisa.

Quanto aos que endossam exaltação ao suicídio, nada de surpresa, até porque muitos destes vivem pregando, assim como fazia Hitler, morte aos judeus e a destruição do Estado de Israel. São as mesmas pessoas contrárias ao governo "genocida e nazista" que se instalou no Brasil.

Nenhum comentário: