6 de fev. de 2021

Flávio Dino corre o risco de perder apoios de importantes políticos do "centrão" que ainda cercam o seu governo

O mês de março poderá trazer desagradáveis surpresas ao governador Flávio Dino (PCdoB), com uma série de acontecimentos que podem afetar seus planos políticos para 2022. O principal deles é a filiação partidária do presidente Jair Bolsonaro, pois, como não conseguiu viabilizar o seu Aliança Brasil, terá de escolher uma nova legenda, e tudo indica que a escolhida é uma das que entraram na ampla aliança de 2018 em torno do comunista e vem se mantendo neste mandato como uma das mais bem recebidas no Palácio dos Leões, com direito até a participação no governo.

Jair Bolsonaro, ao que tudo indica, dificilmente se livrará do assédio e deverá se filiar ao PP do recém eleito presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, e que é presidido no estado pelo deputado federal André Fufuca. Se confirmada a filiação, a partir dela estará automaticamente desfeita a aliança entre a legenda e o Governo do Estado, tamanho é o ódio nutrido, um pelo outro, do governador e o presidente.

Caso Bolsonaro não queira ir para o PP, o PTB, comandado no estado pelo também deputado federal Pedro Lucas Fernandes, como já anunciou diversas vezes o seu presidente nacional, o ex-deputado fluminense Roberto Jefferson, está de portas abertas, não precisa nem bater. É chegar e entrar. Um partido com esta disposição de agradar, certamente não medirá esforços para reeleger aquele que trata com tanta deferência e dispensará a convivência de quem pensa ao contrário.

Pela cordialidade dos seus dirigentes não é exagero prever que em 2022 esses dois partidos dificilmente estarão no palanque do governador, que terá de enfrentar ainda a tendência pró-governo do DEM, do deputado Juscelino Filho, que após o anúncio da saída do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia parece estar mais confortável para voltar às suas origens: uma legenda sempre governista. Alguns caciques, como o governador Ronaldo Caiada, de Goiás, já dão como certa a ida do Democratas para o barco bolsonarista em 2022, e pode até indicar um vice. Basta Bolsonaro querer.

Fora estas três, é preciso equacionar como será a relação do Republicanos, presidido no Maranhão por Cleber Verde e que tem o vice-governador, Carlos Brandão, assumidamente candidato do Palácio dos Leões à sucessão de Dino. O partido é tão (ou mais) bolsonarista quanto as demais legendas que vêm se oferecendo ao presidente, e tem o senador Flávio Bolsonaro, o 01, como uma das maiores estrelas. Aceitará união com quem fala mal e brigará contra os projetos do aliado? Dificilmente.

Resumindo, Flávio Dino talvez não conte em 2022 com muitos bolsonaristas que hoje o cercam, mas disfarça para ninguém notar, e corre risco de ficar enquadrado numa ala esquerdista mais radical. Ele ainda conta com o apoio do cada vez mais declarado adversário de Brandão, o senador Weverton Rocha (PDT), mas tudo dependerá do humor do ex-governador cearense Ciro Gomes, que faz oposição ferrenha a Bolsonaro, mas vive batendo também nos amigos de esquerda de Flávio Dino para novamente se viabilizar presidenciável, e se estas posições forem mantidas, é difícil acomodar gente como perfis tão diferentes num mesma barco.

Antes, o governador falava até em ser candidato presidente, depois baixou para vice, por último assume que vai disputar o Senado e já não descarta concorrer à Câmara Federal. É aguardar pela enxurrada das águas de março!


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