7 de fev. de 2021

Indagado sobre os seus planos para a eleição de 2022, José Reinaldo faz um pedido: "deixa a vida me levar"

O ex-governador José Reinaldo Tavares, que hoje presta consultoria à Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema), ao que tudo indica não parece muito motivado a voltar às disputas eleitorais. Na última sexta-feira (05), quando o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, esteve na sede da entidade para debater os próximos passos do programa do Centro Espacial de Alcântara (CEA), indagado sobre seus planos para 2022, respondeu com um pedido inspirado no sambista Zeca Pagodinho: "deixa a vida me levar".


A verdade é que como consultor da entidade, José Reinaldo foi colocado para atuar num dos mais importantes programas para aproximação da classe empresarial do mundo acadêmico, o Pensar Maranhão, que tem como uma das principais ações a coordenação dos trabalhos que vão atrair empresas e universidade para o projeto aeroespacial surgido com o acordo entre Brasil e Estados Unidos.


Segundo ele, trata-se de uma atividade que sempre teve vontade de desenvolver como político, mas encontrou facilidade para executar na iniciativa privada, onde as tomadas de decisões são menos burocratizadas.

Na última eleição, ainda como deputado federal, José Reinaldo disputou o Senado e amargou o sexto lugar, com 219.225 votos, uma participação inexpressiva para quem foi o grande patrocinador das mudanças nos ares da política maranhense, pois ao romper em 2004 com José Sarney, de quem era aliado desde os anos 1960, possibilitou uma alternância de poder no estado sem interferência da família. Em 2006, um dos seus grandes feitos foi transformar o desconhecido Flávio Dino, hoje governador do Maranhão, deputado federal, com uma das maiores votações já registradas no estado.


Assim como na relação entre José Reinaldo e José Sarney, ocorreu entre José Reinaldo e Flávio Dino a rebelião da criatura com o criador. A última vez que os dois se falaram foi em frente ao Palácio dos Leões, no ano de 2016, quando o governador participava de um evento, e ao avistar o antigo aliado avisou que o receberia tão logo acabasse uma reunião que estava pré-agendada. A reunião, até hoje, não acabou, pelo menos é o que se deduz, já que o ex-governador nunca foi chamado a entrar no gabinete que um dia também foi seu.


José Reinaldo sempre esteve na vida pública como técnico. Foi superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), presidente da Nova Capi (estatal criada para criação de Brasília) e ministro dos Transportes, antes de ser deputado federal, vice-governador (duas vezes), governador e novamente deputado federal. Um belo currículo, mas que parece não ser adequado para o tipo de política que hoje se faz no Maranhão. Não importa, pois continua servindo ao estado, mesmo sem mandato.

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