28 de mar. de 2021

A quem é dado o direito de pregar golpe militar no Brasil? Aos de direita, não; aos de esquerda, sim, é consentido

Título da coluna de Mario Sergio Conti na Folha de São Paulo é explícito: a
favor de um golpe militar para derrubar o presidente Jair Bolsonaro






Salvo melhor interpretação, o jornalista Mario Sergio Conti cometeu, em artigo publicado neste sábado (27), na Folha de São Paulo,  o mesmo crime que teria praticado o deputado federal Sandro Silveira (PSL-RJ) ao defender um golpe militar para tirar do cargo o presidente Jair Bolsonaro. Sandro, que é um direitistas assumido, está preso, no momento em regime domiciliar, mas passou uns dias em cela de quartel, e continua impedido de exercer suas atividades parlamentares, já que todas as sessões na Câmara Federal são remotas e ele não pode ter acesso a telefone, computador, smartTV etc; Conti, por ser de esquerda, certamente ficará impune, merecendo apenas críticas nas redes sociais de quem, por defender o presidente Bolsonaro, pensa diferente dele.

O artigo do jornalista pode ser encontrado com dois títulos. Na versão da internet  aparece com a “Nata militar poderia, sim, derrubar Bolsonaro, mas precisaria ter coragem”. Já na versão impressa, que circulou neste sábado virou “O pocotó das valquírias“, numa alusão, como detalha no texto, ao episódio da Alemanha Nazista em que um grupo de militares tenta destituir Adolf Hitler do poder.


Sobre a Operação Valquíria, que tem como figura central o coronel Claus von Stauffenberg, Conti rememora: 

“O patriciado militar, que festejara ruidosamente a ascensão nazista, veio a se horrorizar com o ímpeto genocida de Hitler. Como não havia espaço político para mobilizar a opinião pública e barrá-lo, um grupo de oficiais organizou um atentado e um golpe de Estado, a Operação Valquíria”, e encoraja os militares brasileiros a fazerem o mesmo com o “o assassino em massa do Planalto”. 

Ainda de acordo com o delírio de Conti, o golpe para destituir e exilar ou prender Bolsonaro, ocorreria quando os militares recebessem a ordem para fechar o Congresso Nacional:  

A nata militar poderia, sim, derrubá-lo (Jair Bolsonaro). Mas ela teria de ter aquilo que sobrava entre os da estirpe de Stauffenberg —coragem, noção de pátria, civismo, a crença que a derrota é o de menos. Numa palavra, heroísmo. Ao receber a ordem de fechar o Congresso, o herói responderia ao vilão:

‘Não. O senhor e sua família têm uma hora para ir ao aeroporto, onde um avião da FAB os levará a Israel. Se se recusar, será preso, processado e julgado por genocídio’
.”

Apesar desta ressalva sob em que circunstâncias em que ocorreria o golpe, no texto inteiro Mario Sergio Conti defende um golpe militar contra Bolsonaro.

Por se tratar de um jornalista de esquerda, muito amigo do ex-ministro José Dirceu, Conti, que além de colunista da Folha de São Paulo, apresenta um programa na Globo News, certamente, receberá aplausos dos mesmos que aplaudiram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por prender o deputado Sandro de Silveira, que insinuou a volta do regime militar ao defender a aplicação do que continha no Ato Institucional Número 05, o famoso AI 5. Além disso, qualquer iniciativa para processá-lo será vista como "ameaça à liberdade de expressão".

Resta saber, no entanto, se a prisão do deputado fluminense foi uma resposta ao seu atentado à Constituição Federal e à democracia ou uma punição para servir de exemplo aos demais a fim de que todos os brasileiros compreendam que, diante da Carta Magna, todos são iguais, só que alguns "mais iguais que outros", como diz o rock da banda Engenheiros do Havaii.

Quem defende democracia, no entanto, ainda que, dependendo do lado que está neste momento, não possa se manifestar publicamente sob pena de um castigo da Suprema Corte, deve pelo menos se indignar.

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