30 de mar. de 2021

O discurso não é "vacina, já", mas "vacinem, já", pois doses recebidas pelas prefeituras não são aplicadas

Todos os dias, deputados, senadores, secretários de governo e outros aliados e simpatizantes do Governo do Estado, que, por serem assim, se contrapõem ardorosamente contra o governo federal (o que perfeitamente natural e compreensível), encontram um meio de inserirem em suas postagens nas redes sociais a reivindicação "vacina, já", por sinal muito justa, tamanha a pressa que os brasileiros têm para conseguir sua imunização contra a covid-19.

Como se dizia lá nos anos 1980, bem que esses atores da política poderiam mudar o disco vez por outra e passassem a fazer outra reivindicação, aliás, uma exigência: "vacinem, já", esta tendo como alvo da crítica prefeitos do Maranhão que estão colocando seu povo ao risco da contaminação, por não estarem aplicando ou virem utilizando de forma incorreta as doses de imunizante recebidas.

Pena que os responsáveis por esta prática criminosa, por serem futuros aliados na eleição do próximo ano, poucos (ou quase nenhum) dos corajosos e corajosas que detêm poder terão coragem para pedir uma investigação, seja do Ministério Público ou mesmo da polícia, para que a população saiba o que esses gestores municipais estão fazendo com as vacinas recebidas, já não registram sua aplicação.

Para que se tenha ideia do que vem se passando no Maranhão, das 778.410 doses entregues às prefeituras, 475.998 foram aplicadas, o que corresponde a 61,22%, ou seja, alguém precisa dizer o que ocorreu com um volume de 38,78%. Não foram aplicadas ou estão em corpos de pessoas que não fazem parte dos grupos prioritários e por isto sua imunização não pode ser lançada no sistema? 

Alguma autoridade, principalmente as que mais se insurgem contra o "genocídio" que se pratica no Brasil, precisa cobrar explicações, e se não for muito, punição.

Alcântara, que fica na região metropolitana de São Luís e é governada pelo Padre William, se destaca como um dos piores exemplos do mal gerenciamento da vacinação no Maranhão, pois das 10.867 doses recebidas, até agora aplicou apenas 879, ou seja, 08%. Alguém sabe dizer onde estão as milhares de outras doses que não constam em nenhum registro? Padre William bem que poderia de posição no confessionário!

Vale lembrar que o Maranhão é governado por um político que já ousou recorrer até à ONU para que o Brasil tenha facilitado seu acesso às vacinas produzidas no Mundo. Além disso, o seu secretário de Saúde preside o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), órgão que mais se contrapõe à política de Saúde do Governo Federal. Só as ações dessas duas autoridades justificariam uma melhor posição do Maranhão no ranking nacional da vacinação, mas se não houver a ajuda de quem é pago para fiscalizar gestão pública, eles, infelizmente, não vão servir de exemplo para o restante do Brasil.

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