14 de abr. de 2021

Cachê de Aline Barros poderia dar dignidade a muitos artistas maranhenses e tocar com mais força o coração do Senhor


 

Nada contra o Governo do Estado ou outra instituição, pública ou privada, contratar artistas de fama de fazer propaganda de seus atos ou de seus produtos, tampouco importa quanto cada personagem cobra para fazer esse tipo de papel, o que não impede gerar uma inquietação interna se o dinheiro, principalmente quando público, está sendo bem investido e realmente a serviço da sociedade.

O Maranhão, assim como o restante do Brasil, atravessa uma das piores crises já assistidas pela sua população, com o surgimento de uma pandemia que está matando impiedosamente milhares de pessoas todos os dias, sendo que aqui são mais de quatro dezenas a cada 24 horas. 

O Governo do Estado, segundo suas autoridades, amparado nas recomendações de cientistas e médicos adotou como principal estratégia para enfrentar a coronavírus a restrição, e já houve época até de isolamento quase que total. Esse tipo de medida, por mais que estejam corretas as autoridades, implica num efeito colateral quase tão terrível quanto o vírus: a crise econômica, pois milhares de pessoas hoje se encontram em situação de penúria por, simplesmente, terem encerrado suas atividades, e não encontram outro meio para repor a renda e manter o padrão de vida que vinha adotando anteriormente.

Das categorias prejudicadas, a dos artistas é uma das mais sofridas, e que não se venha levantar o argumento da fama, pois nem todos são, aliás muitos fazem de seus shows e outros tipos de evento algo que possibilite apenas uma renda digna, sem condições sequer de sonhar em formar fortuna. Junto com eles, estão operários - carpinteiros, eletricistas, motoristas, seguranças etc - que são os atores anônimos de um espetáculo, mas sem sua entrada em cena nada acontece.

Por conta das proibições de eventos, e até mesmo de casamentos, aniversários e outros tipos de reuniões, muitos desses profissionais estão parados, desesperados, sem enxergar uma luz no fim do túnel, mas o governo, com razões até justificáveis, diz que não pode fazer nada, pois sem isolamento não há controle da pandemia, e a vida não poderá voltar ao normal em curto espaço de tempo.

Na mesma pregação, há a condenação de tratamento precoce que pudesse evitar superlotação de hospitais, ou seja, só restam como remédios uso da máscara, higiene pessoal, distanciamento (se puder isolamento) e vacina. Para que o povo tome consciência disso, o governo não abriu mão de investimentos em propaganda e aqui no Maranhão uma das peças mais rodadas tem a cantora Aline Barros, um dos nomes mais famosos do segmento gospel.

Não se sabe quanto ela cobrou, mas dizem que não foi barata sua intercessão com o Senhor para nos tirar desse drama. Nada contra, pois cada um vale quanto pesa e ela conhece o seu peso e seu prestígio com as forças do além.

Enquanto Aline Barros fatura uma boa grana, centenas de nossos artistas se submetem a um seletivo para terem direito a jm auxílio de no máximo R$ 1 mil. Segundo cálculos de quem sabe quanto custou a empreitada daria para se pagar R$ 200 mil a cem artistas ou R$ 10 mil duzentos. Se estiver certa s conta, muitos dos nossos artistas estariam hoje com renda mais segura, conquistada com dignidade e talvez pudessem tocar melhor o coração do Senhor.

Dá até para imaginar um coral com toda essa gente, entoando uma bela canção maranhense e encerrando com a frase de recomendações para cada um se proteger. Seria lindo!

Infelizmente, estamos num estado onde todos são iguais, porém alguns mais iguais que outros.




12 de abr. de 2021

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Por que para decidir se cultos e missas serão permitidos com presenças de fieis quem vai opinar são as lideranças religiosas e não cientistas e médicos?


Sem medo de ir para briga, presidente Jair Bolsonaro não consegue estabelecer a harmonia entre os três poderes



Todas as vezes - e elas têm sido muito frequentes - que o presidente Jair Bolsonaro reúne chefes dos demais poderes e representantes de outros segmentos sociais para sinalizar com um embarque para uma viagem pacífica rumo ao ponto seguro que venha dar tranquilidade a todos os brasileiros, principalmente aos mais ansiosos pela superação desta crise que se criou com a pandemia de covid-19, a pergunta que sempre se deve fazer é "até quando?".

Isto mesmo, quanto tempo durará este seu comportamento de paz e harmonia, de serenidade ou, como se exige de um chefe de nação, de estadista? Afinal de contas, todas as tentativas ou encenações disto não duraram mais do que duas semanas, pois o homem está sempre de pilhas carregadas ligadas a fios desencampados, prontos para provocar curto circuitos.

A verdade é que o presidente Bolsonaro, por mais que seus seguidores não gostem que se diga isso, mesmo aqueles que admiram o fato dele ser assim, é uma pessoa vocacionada a viver em conflitos, e na semana que passou foram pelo menos duas explosões verbais, e quando todos imaginavam que a segunda-feira seria amena, mais uma no domingo. 

Na sexta-feira (09), o alvo do desabafo do presidente foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso, a quem acusou de não ter moral e ser ativista político, por ter determinado ao Senado abertura de uma CPI contra o Governo Federal por suposta omissão na crise sanitária de Manaus (AM); no sábado (10), foi a vez do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ser chamado de patife pelas restrições econômicas para conter a pandemia de covid-19; no domingo (11), veio ao ar a gravação da conversa com o senador Jorge Kajuru, com teor bombástico.

Esses episódios jogam na vala do esquecimento alguns esforços para superação da crise, como a criação de um comitê nacional para enfrentamento da covid-19, pois certamente a harmonia entre os três poderes a essa hora foi para o espaço. 

Apesar desse destrambelho do presidente, reconheçamos que não é fácil governar um país nas circunstâncias em que ele se assumiu e vem conduzindo seu governo. Primeiro, ninguém acreditava que sequer conseguiria registrar sua candidatura; depois se teria condições de tocar a campanha; depois se venceria, mas, contrariando todas as lições de marqueteiros, pesquisas de opinião pública, cobertura jornalística da campanha dos grandes veículos de comunicação, um atentado a faca etc venceu, e até hoje quem perdeu não se conforma, enquanto outros gostariam que tivesse a postura polida de alguns adversários, deixando de lado o discurso que fez dele um "mito".

A Bolsonaro não vem sendo dado também uma semana de refresco. São mais de 60 pedidos de impeachment, na Câmara, alguns sem nenhum sentido; todas as semanas alguém bate à porta do Supremo, e este sempre acolhe, para protocolar denúncias contra ele; na maioria dos veículos de comunicação não há uma menção de algo positivo do seu governo, apenas o lado ruim; dia sim dia não, um ministro do STF faz declarações bombásticas contra ele ou seu governo em entrevistas e palestras pouco ligando se algum dia irá julgá-la, e por aí vai a crise, com um presidente sem medo de briga e o tempo todo sendo chamado para uma.

O mais preocupante de tudo isto é que ainda faltam 17 meses para o primeiro turno da próxima eleição, e todo esse barulho é por conta desse momento que se avizinha lá longe. Todos seus adversários são unânimes em afirmar que ele não se reelegerá. São tão convictos disso, porém nenhum parece disposto a derrotá-lo nas urnas; preferem tirá-lo pela via judicial, e por conta desta ansiedade, estamos nesta encruzilhada, a espera de paz, sossego, pois tem um inimigo maior querendo destruir todos nós, e não escolhe entre direitista e esquerdista, é quem se atravessar. Trata-se do covid-19, que infelizmente tem parecido ser menos danoso do que aqueles que foram os escolhidos para, em nome do povo, combatê-lo.




7 de abr. de 2021

O Brasil chega a 336,9 mil mortes e muitos políticos não querem morte do covid-19, mas tê-lo como cabo eleitoral

 



O Brasil chegou nesta terça-feira (06) à triste marca de 336.947 mortes por coronavírus com o registro de 4.195 registros de óbitos nas últimas 24 horas. Seria uma boa oportunidade de cientistas, médicos e políticos fazerem uma reflexão e, sem vaidades, tentarem explicar por que chegamos a esse nível, entretanto apontar culpados parece mais importante do que atacar o verdadeiro inimigo, que seria o vírus.

Recorro a dois parágrafos do artigo Infelizmente até hoje se sabe muito pouco sobre a covid-19, do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro, para se compreender como chegamos a esse ponto:

Existem inúmeras questões que aguardam resposta da ciência em relação à covid-19. Cito algumas: O lockdown previne mais a transmissão do que medidas distanciamento social? Pacientes que tiveram a doença estão imunes? A mutação do vírus é mais grave do que a forma anterior?

Lamentavelmente, no Brasil, há uma politização criminosa em relação à pandemia entre apoiadores e críticos do Presidente da República. Assuntos irrelevantes relacionados à covid-19 dominam o noticiário, com discussões estéreis entre pessoas sem formação acadêmico-científica na área de saúde, dando opiniões como especialistas, porém com cunho político e ideológico.

Isto mesmo, todos os dias, minutos após a divulgação do boletim diário sobre as ocorrências da pandemia, políticos começam a disparar mensagens em suas redes sociais, a maioria deles apenas para atiçar disputas partidárias e políticas, muitos esquecendo do que se passa no seu quintal para comentar o que enxerga no jardim do vizinho. Boa parte desses críticos, por exemplo, nunca menciona que no Maranhão são mais de 40 mortes/dia e o estado já tem mais de 6,3 mil casos de óbitos. Preferem ter Brasília como alvo de seus disparos.

Estimulados por políticos, veículos de comunicação se encarregam de mais tumultuar do que informar, escondendo fatos relevantes e trazendo para pauta temas que apenas constrangem políticos e gestores, bem como deixam de ouvir quem conhece para privilegiar quem apenas palpita.

O brasileiro talvez não esteja muito interessado em saber se deveria ter sido assim ou assado, mas os que as autoridades podem fazer para que essa mortandade reduza. 

Seria demais pedir que governadores, prefeitos e o presidente da República conversassem civilizada e respeitosamente para que a saúde do povo estivesse em primeiro lugar? 

Parece fácil, mas infelizmente isto é quase improvável, pois o que buscam os atores dessa trágica comédia é holofotes para si, pois, afinal de contas, 2022 é bem ali, e é ano de eleição, por isto muitos preferem que fique assim, pois vão se agarrar ao covid-q19 para usar como cabo eleitoral.

O Brasil é uma tragédia!

2 de abr. de 2021

O Brasil rodou, rodou e rodou para novamente ter de escolher entre Jair Bolsonaro e o petismo, ou melhor, lulismo

 

Há poucos dias li uma crônica do jornalista Ricardo Noblat, um dos maiores críticos do governo federal, que, com sua singular maestria, critica diária e impiedosamente o presidente Jair Bolsonaro, uma declaração de voto para a eleição presidencial de 2022: seu candidato será qualquer um, isto mesmo, qualquer um, que se apresente com chances de suceder o mandatário atual. Noblat não quis dizer, mas já avisa que seu candidato é o ex-presidente Lula, pois o Brasil rodou, rodou e rodou e o povo vai novamente decidir se os destinos da Nação ficam com Bolsonaro ou voltam para o PT.

Noblat faz parte de um time de jornalistas, muitos do melhor nível intelectual, que militou para que o Brasil encontrasse uma alternativa de centro na sucessão de Dilma Rousseff. Além dele, fazem parte desse grupo, dentre outros, Vera Magalhães, Marco Antônio Villa, Reinaldo Azevedo..., que sonharam ter um homem com o perfil de Geraldo Alckmin na Presidência da República, mas diante dessa impossibilidade fizeram coro pelo voto em Jair Bolsonaro, crentes de que este não daria conta do recado, e logo se encarregaria de viabilizar um sucessor da nova direita: João Doria, Wilson Witzel etc

Nunca esqueço da abertura do programa Pingo nos Is da Rádio Jovem Pan do dia da condenação do ex-presidente Lula. A então âncora, Joice Hasselmann, não apenas tocou, mas cantou "... é hoje o dia da alegria, e  a tristeza nem pode pensar em chegar..." 

Joice é hoje deputada federal e, de  bolsonarista, agora flerta com a esquerda depois de ver que não dá para fazer a travessia na barca furada do PSDB, ou seja, não é por convicção, mas por contrariedade com Bozo.

Todo esse time está sem opção, pois quem gostaria de ver por cima não sai de baixo, cabendo-lhe então a saída pela esquerda. Não deveria ser assim, se Jornalismo e militância partidária fossem descasados, o que vem se tornando impossível. Para que se tenha ideia, em 1989, quando o então candidato Fernando Collor de Melo chegava a um aeroporto para cumprir agenda de campanha, enfrentava um "corredor polonês de jornalistas cantando "Lula lá".

Por conta dessa militância, o que se pode esperar é uma tentativa cada vez maior para desgastar o governo atual e, a contra gosto, tentar Lula outra vez. Afinal, ele e Bolsonaro, cada um,  tem hoje 1/3 do eleitorado. Que vença aquele que conseguir maior fatia do 1/3 que resta, e que desta a parte derrotada aceite o resultado, e se forem jornalistas os perdedores que passem a ser mais militantes da notícia.

Boa sorte, Brasil!




1 de abr. de 2021

A imprensa brasileira está se deixando pautar por muitos políticos inexpressivos que confundem soluço com arroto

LEIA MARANHÃO HOJE



A imprensa brasileira, de tantas tradições, que já revelou importantes nomes para a intelectualidade nacional, vem nos últimos anos se deixando apequenar por vir sendo pautada por políticos inexpressivos, sem conteúdo, mas que conseguem manobrar por meio de suas assessorias, espaços para vomitar bobagens, pregar caos, num complemento desconhecimento das leis, da Constituição e das tradições da vida pública nacional. Não se trata de apenas ignorância, mas de vocação, para que os fatos se pareçam com o pensamento de quem tem as suas rédeas.

São tantos os exemplos, mas alguns bastam para exemplificar essa afirmação, tão triste de ser constatada.

Há poucos dias, numa sessão do Senado, um assessor do Itamaraty foi acusado de fazer um gesto obsceno, de caráter homofóbico, enquanto o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, discursava. O gesto seria aquele que muitos usam para duvidar da masculinidade de um homem. Mas, afinal, a quem ele estaria se referindo? 

Depois de muito analisarem o gesto, que ele jura ser apenas para ajeitar a lapela do terno, chegou-se à conclusão que a junção dos dedos polegar e indicador não formava um orifício, portanto estava descaracterizada a homofobia, e passou-se então a interpretar aquilo como uma saudação nazista.

Um professor especializados na linguagem dos sinais foi levado a uma emissora de TV e não teve dúvida: três dedos formavam a letra W, de White (branco em Inglês), e a junção das pontas do polegar e do indicador não era um orifício, mas um P, de Premium, caracterizando-se, assim, uma pregação de supremacia branca, como faziam os seguidores de Hitler. 

O problema é que o autor gesto é judeu, portanto não poderia (pelo menos não deveria) fazer pregações nazistas, portanto o caso passou para disse-me-disse e ninguém mais tocou no assunto.

Um senador da República, provavelmente o descobridor do atentado e autor da denúncia aos meios de imprensa, num discurso afetado, gravou mensagem que várias emissoras de TV, sites e blogs repercutiram, além das redes sociais: "Não sei que gesto era aquele, mas que foi ofensivo foi", disse ele. 

Impressionante: a pessoa não sabe que mensagem foi passada pelas mãos do assessor do Itamaraty, porém não tem menor dúvida de que ele ofendeu o Poder Legislativo.

Não estranha se descobrir no Brasil um judeu com inclinação nazista. Afinal de contas, o presidente da República, todos os dias, é chamado de nazista, mas mantém estreitas relações com Israel, e quem o chama de nazista é simpatizante das causas de quem prega o fim do Estado de Israel e o banimento, da face da Terra, do povo judeu. Que coisa!

Pois bem, como este episódio entrou para a lista de muitas outras pautas ridículas, veio, na terça-feira (30), a ameaça de um golpe militar. 

Os mais afamados comentaristas da grande imprensa nacional não tiveram dúvida em identificar um golpe em marcha porque houve troca de ministro da Defesa (os outros cinco não contaram) e o que entrou trocou os comandos das Forças Armadas. Vários políticos foram ouvidos para tratar disso, os mesmo desmiolados que pautam a grande imprensa. Isto tudo se deu às vésperas do aniversário do golpe militar de 1964, que uns preferem chamar de "movimento" e outros, "revolução". O 31 de março, no entanto, amanheceu, entardeceu e anoiteceu, e nada de golpe!

A frustração não impede, porém, que alguns comunicadores, dando a si mais importância do que têm, em vez de repararem seus erros, atribuem à cobertura dos seus veículos a esses acontecimentos e às interpretações que deram como base em depoimentos de "fontes confiáveis" como ações que salvaram a democracia brasileira, pois os golpistas tremeram e recuaram. Minha Nossa Senhora!

Apesar de tudo isso, o novo ministro da Defesa ainda terá de ir ao Congresso Nacional explicar por que trocou os três comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. A resposta é tão simples e tão óbvia que bastaria lembrar que foi pelas mesmas razões que teve o deputado Arthur Lira ao assumir a Presidência da Câmara. No seu primeiro ato, tornou sem efeito uma medida do antecessor e no dia seguinte trocou todos os chefes de setores, ou seja, a mesma coisa que faz o presidente da CBF ao trocar a comissão técnica da Seleção Brasileira ou um presidente de clube de futebol ao mandar o técnico embora: quer gente da sua confiança.

A melhor definição de tudo isto foi dada nesta quinta-feira (1º) pelo general Etchegoyen, do Rio Grande do Sul, numa entrevista à Jovem Pan. Para ele, é incompreensível como, passados 26 anos da redemocratização do Brasil, alguns setores da política nacional e da imprensa, ainda se assustam como um soluço, como se fosse um brado de rebeldia. Disse mais: enquanto nos quarteis há a convicção de que a democracia brasileira está sólida, do lado civil vêm as incitações para que os militares subvertam a ordem. Dá para entender?

Por essas e outras é que nas pesquisas de opinião pública, quando se pede para os entrevistadores darem seu votos de confiança aos meios de comunicação, a imprensa sempre fica com menos de 10%. 

Saudades dos tempos de bom jornalismo!