21 de abr. de 2021

Brizola certamente chamaria seus colegas governadores de submissos ao colonialismo norte-americano


Fico imaginando Leonel de Moura Brizola, governador do Rio de Janeiro, recebendo a ligação dos demais gestores estaduais pedindo sua assinatura em uma carta endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sugerindo que ele, desconhecendo a autoridade do presidente brasileiro, firme acordos com os estados para tratar de questões ambientais. 

Por mais que tivesse rejeição ao chefe do Executivo Nacional, Brizola certamente lembraria dos episódios que antecederam 31 de março de 1964 e jamais endossaria uma nova intervenção norte-americana no seu país, e ainda acusaria esses governantes de estarem com vocação para o colonialismo estrangeiro em terras brasileiras.

Brizola certamente pediria aos colegas, alguns deles até com rótulo de professor de Direito Constitucional e outros críticos de quem bate continência para a bandeira dos EUA, para observarem o que diz a Constituição Federal:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

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VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;

VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;

A propósito desta submissão de governadores brasileiros ao presidente dos Estados Unidos, recordo de uma peça publicitária divulgada num dos desses jornais alternativos da época da Ditadura Militar - coisa de esquerdista da época - contra a interferência norte-americana em assuntos que dizem respeito aos brasileiros.

Tendo como ilustração as logomarcas de Chevrolet, Coca-Cola, McDonalds, Pepsi Cola, Phillips, HP, Ford e outras multinacionais, uma frase criticava os norte-americanos: "Brasil, quem te USA".

Na página seguinte, centenas de rostos de brasileiros - gente bonita, gente maltratada, gente sorridente, gente chorando - e a frase "Brasil quem te ama!".

Parafraseando Cecília Meireles, que perguntava "em que espelho ficou perdida a minha face?", pergunto: "em que esquina ficou perdido o orgulho da nossa gente?".

Avante, Brasil!

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