26 de abr. de 2021

Exercer Jornalismo é uma das missões mais espinhosas, pois todos se acham no direito de questionar e ofender



 
Há poucos dias num desses muitos grupos de WhatsApp que participo - a grande maioria tendo sido incluído sem ao menos ser consultado se gostaria ou não do convívio com os demais membros - uma das participantes, ao responder a uma postagem minha, fez a seguinte observação: "não consigo compreender como um jornalista tão inteligente defende teses bolsonaristas". 

Fui observar com calma sobre o que ela se referia e constatei que não se tratava de uma crônica ou um comentário de minha autoria defendendo o atual governo federal, mas de uma notícia fornecida por dessas agências sobre alguma ação do presidente da República e queria apenas atrair leitores para o meu site Maranhão Hoje.

Apesar de injustificada, a crítica espelha muito bem o conceito que se tem de jornalismo hoje em dia: partidário, ou seja, o repórter tem de ter lado, pois é antiquado e politicamente incorreto ser neutro. Eu, no entanto, ainda me apego aos ensinamentos de que o jornalista tem de ser, o máximo que puder, isento na informação, deve noticiar aquilo que sabe e constata como verdadeiro, sempre procurando ouvir mais de uma fonte e deixar o julgamento se o fato é correto ou não ao leitor, ouvinte ou telespectador.

Infelizmente estamos numa época em que o jornalista deve estar a serviço desta ou daquela corrente de pensamento. Um jornalista que se aventura a escrever um artigo sobre o presidente da República, não constrói uma frase, mas junta 220 adjetivos ofensivos, é endeusada como progressista, assim como o seu colega de jornal que duas semanas depois defende um movimento nos quarteis à moda da mal sucedida Operação Valquíria contra Hitler, na Alemanha Nazista, e oferece ao presidente Bolsonaro e sua esposa duas opções: exílio em Israel ou cadeia, para mofarem até à morte. 

Do outro lado, os que escrevem na defesa do extermínio do Lulopetismo é recebido como patriota por alguns, assim como os que extrapolam os limites da boa informação e pregam ditadura militar. Estes são os verdadeiros defensores do Brasil!

Não é fácil, portanto, o exercício do Jornalismo no Brasil nestes tempos em que todos se metem a opinar sobre o que se escreve, seja advogado defensor de criminoso ou político corrupto, seja engenheiro que executa obras mal feitas só para aumentar o lucro do patrão, médico que não se constrange em fazer do SUS um balcão de negócios ou contabilista que sempre encontra meios para calcular sonegação de impostos em favor do seu cliente.

Lamento profundamente que tenhamos chegado a esse estágio, mas, paciência, é por ele que iremos atravessar, sem que saibamos ao certo onde está um porto seguro, que certamente não há em nenhum dos dois extremos da vida selvagem dos nossos dias.

Paciência, mas agora é assim mesmo!


4 comentários:

Pedro Luiz Crescêncio Leal disse...

Aquiles, você está aberto a uma discussão teórica, conceitual e epistemológica sobre esse tema?
Mesmo comigo que:"seja advogado defensor de criminoso ou político corrupto, seja engenheiro que executa obras mal feitas só para aumentar o lucro do patrão, médico que não se constrange em fazer do SUS um balcão de negócios ou contabilista que sempre encontra meios para calcular sonegação de impostos em favor do seu cliente" talvez me inclua numa dessas categorias abjetas?

Pedro Luiz Crescêncio Leal disse...

Ou não

Pedro Luiz Crescêncio Leal disse...

Caso você concorde, deixo claro que uma condicionante "sine qua non"do exercício democrático é a LIBERDADE DE IMPRENSA, que por si só pressupõe a liberdade de opinião e, lato sensu, a crítica a opinião... Por mais estapafúrdia que possa ser...

Aquiles Emir disse...

Sim, aceito